Richard Wagner, o avô do Heavy Metal?

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RICHARD WAGNER: O AVÔ DO HEAVY METAL?

Gênero nascido na virada dos 60 para os 70, o heavy metal trilhou de lá para cá um caminho que cada vez mais o afastou do blues, e consequentemente do rock tradicional. Alguns especialistas no assunto defendem que o metal – sem o adjetivo heavy – possui mais parentesco com as óperas do compositor alemão Richard Wagner do que com o blues.

Wagner (1813 – 1883) foi pioneiro no uso do cromatismo em suas composições. Ele utilizou a escala cromática, de 12 semitons, com intenção de gerar efeitos agressivos de tensão melódica e harmônica. Outra característica das óperas cromáticas de Wagner é a larga utilização de sonoridades instrumentais nas faixas de frequência sonora mais graves.

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Não sou, nem de longe, especialista em teorias musicais, mas sei o efeito que a música de Wagner me causa desde que ouvi pela primeira vez a parte final de sua ópera “O Crepúsculo dos Deuses” aos 13 anos de idade: tensão, assombro e profunda admiração.

Seria Wagner uma grande influência para heavy metal? Cada vez mais acho que sim. E alguns músicos ligados ao metal também pensam assim. Entre as bandas que se dizem explicitamente influenciadas pela música de Wagner, estão: Manowar, Hammerfall, Majesty e Sacred Steel.

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Manowar

Como minha banda preferida de heavy metal é o Rammstein, vejo nela bastante similaridade com a estética e a temática wagnerianas: temas tabus pesados nas músicas, a combinação de drama e pirotecnia nas apresentações e representações públicas, etc. Li numa publicação em inglês da Deutsche Welle um ótimo paralelo entre Richard Wagner e Rammstein: não há meio termo com os dois, ou se ama ou se odeia, e quem gosta de um tende a gostar do outro e viceversa.

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Apresentação do Rammstein. Choque e drama.

De maneira geral, podemos ouvir ecos de música clássica em uma boa parte das escalas usadas nos solos e riffs de guitarra do rock, e do heavy metal em particular.

Algumas bandas de metal usam as mesmas técnicas utilizadas por Wagner no século XIX: histórias baseadas na mitologia cheias de tensão dramática e cuja finalidade é chocar e envolver o público, quase como numa experiência religiosa. A música de Wagner é repleta de climas e conflitos que são elementos caros ao heavy metal.

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Temas mitológicos e heroicos na música do HammerFall

Não é por acaso que Wagner, em determinado ponto de sua carreira, passou a chamar suas óperas de dramas musicais. As pessoas, em maior ou menor grau, precisam de drama e questionamentos filosóficos em suas vidas. Questões estas, também presentes no heavy metal.

Wagner viveu num período importante da história e se envolveu em diversas questões políticas, sociais e filosóficas que fervilhavam na Europa no século XIX. Lia muito Schopenhauer e trocava figurinhas com Nietzsche. Por falar em Nietzsche, as ideias niilistas do filósofo alemão influenciaram algumas letras do heavy metal, principalmente as do subgênero black metal, mas isto é tema para outra conversa.

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Representação da ópera “A Valquíria” de Wagner. Choque e drama.

Como não sou especialista em heavy metal, peço a contribuição dos leitores no sentido de indicar outras bandas “wagnerianas”, para que possamos ampliar nossa discussão sobre este tema.

Curiosidade: o veterano ator britânico Christopher Lee (1922- 2015), famoso por papéis em filmes de terror, também gostava de cantar ópera e metal progressivo com traços wagnerianos.

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Christopher Lee num dos vários filmes em que interpretou o Conde Drácula.

 

MÚSICAS


Wagner: Cavalgada da Valquírias de “A Valquíria” – Orq. Filarmônica de Berlim – Daniel Barenboim


Manowar: Warriors of the World


HammerFall: Hearts on Fire


Wagner: Abertura de “Tannhäuser” – Orq. Filarmônica de Berlim – Herbert von Karajan


Christopher Lee: Massacre of the Saxons


Rammstein: Engel


Wagner: Prelúdio do 3º Ato de “Lohengrin” – Orq. Filarmônica de Londres – Klaus Tennstedt


Majesty: We Are Legends


Wagner: Marcha Fúnebre de Siegfried de “O Crepúsculo dos Deuses” – Orq. Filarmônica de Berlim – Herbert von Karajan


 

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