Disco Nota 11: “Peter Gabriel 4” – Peter Gabriel

Paulo Fernandes

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GENESIS

Peter Gabriel fundou o Genesis em 1967, ainda na escola, com os amigos Tony Banks, Mike Rutherford, Anthony Philips e Chris Stewart. Poucos anos depois o Genesis seria uma das bandas mais importantes do cenário progressivo britânico, sucesso em grande parte devido à inesgotável criatividade de Gabriel em inventar histórias musicais e dar vida a elas no palco, interpretando vários personagens.

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É nessa fase com Peter Gabriel nos vocais que o Genesis lançou seus melhores álbuns, como Selling England by the Pound e The Lamb Lies down on Broadway para citar apenas dois.

A tensão entre Peter e os outros integrantes, que já vinha de algum tempo, chegou num ponto crítico em 1975, logo após a gravação de “The Lamb Lies down on Broadway”, e de sua subsequente turnê, e acabou por fazê-lo decidir por sua saída do grupo.

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CARREIRA SOLO

O que geralmente presenciamos no mundo da música quando a figura de destaque de uma determinada banda se lança em carreira solo é certa continuidade “confortável” do que já fazia anteriormente. Temos vários exemplos de ex-membros de conjuntos que continuam a fazer o mesmo tipo de som e a tocar músicas do antigo grupo em seus shows.

O que faz de Peter Gabriel um artista “único” é que ele optou por um caminho totalmente diverso ao iniciar sua carreira solo em 1977. Uma reviravolta surpreendente e sem paralelos na história do rock, e em constante evolução ao longo dos anos, incorporando sonoridades e ritmos de diversas regiões da África, da Ásia e da América Latina. Em uma explicação sobre o caminho que tomou ele disse “Estou um pouco cansado dessa excessiva preocupação européia com a melodia. Em países como o Brasil, o ritmo é mais importante”.

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Seu primeiro álbum, lançado em 1977, já mostra um repertório bem diversificado e que sua usina de idéias estava funcionando melhor e mais livre do que antes. Uma curiosidade: os quatro primeiros discos de Peter Gabriel não possuem nome e são identificados por números (1, 2, 3 e 4). A maioria dos que vieram depois do 4 tem nomes monossilábicos: So, Us, Up. A cada lançamento novas surpresas e diferentes sonoridades, sempre com músicos do chamado Terceiro Mundo como convidados. Sem medo de errar eu diria que todos os discos de Peter Gabriel são fundamentais.

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“UMA TURNÊ PELA ALMA SEDUTORAMENTE APAVORANTE”

Eu confesso aos meus inúmeros leitores que em 1982 fiquei chapado, sem precisar ingerir nenhuma substância legal ou ilegal, ao escutar pela primeira vez o disco “Peter Gabriel 4. Nessa época eu não gostava tanto do Genesis quanto gosto hoje. Um amigo me recomendou o disco com grandes elogios, mas minha decisão de adquiri-lo (nesse tempo eu comprava discos sem escutá-los previamente) foi ao ler um artigo numa revista de música (Somtrês ou Pipoca Moderna, não me lembro mais) intitulado “Uma turnê pela alma sedutoramente apavorante”

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Foi o primeiro LP, que me lembro, ter escutado duas vezes seguidas na primeira audição. Por causa dele uma pretendente ficou tão assustada (deve ter pensado “o sujeito que escuta isso deve ser psicopata”) que sumiu e só consegui reatar uns cinco meses depois (graças ao Echo & The Bunnymen).

Logo na primeira faixa, a arrepiante The Rhythm of the Heat, Peter Gabriel mostra sua receita de misturar tecnologia (sintetizadores, sequenciadores e outros “ores”) com ritmos e instrumentos tribais. A faixa descreve um ritual tribal africano assistido por um ocidental, que ao final é seduzido e “possuído” pelo ritmo do calor.

Quase na mesma linha, só que agora nos campos da Ameríndia, vem San Jacinto. A faixa de maior sucesso é Shock the Monkey com sua batida funk, sintetizadores bem colocados e uma linha de baixo espetacular. A minha preferida é Lay Your Hands on Me com sua bolinha caindo no assoalho. A comovente balada Wallflower fala sobre a loucura. O disco se encerra com uma batucada “brasileira”: Kiss of Life.

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Outra característica dos quatro primeiros discos de Peter Gabriel é que ele aparece na capa, só que encoberto por algum efeito, dessa forma os discos são conhecidos nos EUA por: Car (1) – Peter está dentro de um carro e chove; Scratch (2) – Peter está arranhando a capa; Melt (3) – o rosto de Peter está derretendo. Neste, “4”, ele está irreconhecível. O álbum é conhecido nos EUA como “Security”, sei lá por qual motivo.

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O reconhecimento definitivo de Peter Gabriel viria com o disco seguinte “So”, mas isso é história para outro Disco Nota 11.

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FAIXAS

Todas as faixas compostas por Peter Gabriel.

Lado A

1. The Rhythm of the Heat
2. San Jacinto
3. I Have the Touch
4. The Family and the Fishing Net

Lado B

1. Shock the Monkey
2. Lay Your Hands on Me
3. Wallflower
4. Kiss of Life

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MÚSICAS

 

Ouça o álbum completo:

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