Disco Nota 11: “The Lamb Lies Down on Broadway” – Genesis

Paulo Fernandes

Lamb_00 

 

FUTEBOL E ROCK PROGRESSIVO

Foi durante a copa de 1986, mais especificamente num jogo das quartas-de-final entre Argentina e Inglaterra que eu iniciei uma de minhas muitas manias: assistir a transmissões de esportes na TV, principalmente futebol e corridas de Fórmula 1, sem o som do televisor e ouvindo discos de rock progressivo.

Lamb_12

O Brasil havia sido eliminado pela França no dia anterior e eu não estava a fim de ouvir choramingos dos locutores da Globo e nem da Bandeirantes, então deixei  o som do televisor zerado e coloquei o disco “The Lamb Lies Down on Broadway” do Genesis que encaixou-se perfeitamente à duração de uma partida de futebol (dois discos de 45 minutos cada!). Gostei tanto da experiência que faço isso até hoje.

HOMEOPATIA E VENENO

“The Lamb…”, de 1974, é o sexto disco de estúdio do Genesis e difere dos seus antecessores por ter a predominância de faixas mais curtas (nenhuma delas possui mais de 9 minutos de duração, o que era comum nos 4 álbuns anteriores). Felizmente a sonoridade característica da banda continua intacta e perfeita, mesmo que em doses menores e por isso mesmo mais diversificadas entre si.

Lamb_05

O álbum, um dos pontos mais altos da carreira do Genesis, é o último com a participação de Peter Gabriel. Os atritos entre Gabriel e os demais membros parecem ter começado pela ausência quase total do vocalista, devido a problemas familiares, nas sessões de composição das músicas para o álbum.

Lamb_03

Quando da volta de Peter Gabriel para os trabalhos de “The Lamb…”, ele insistiu em escrever o conceito do álbum e todas as letras das canções, o que desagradou os demais, principalmente Mike Rutherford, que havia pensado em algo baseado no livro “O Pequeno Príncipe”.

 Lamb_08

E nesse clima tenso o álbum foi gravado e lançado. Em seguida Gabriel anunciou que deixaria a banda, mesmo assim participou de toda a turnê de divulgação do álbum.

RAEL É REAL?

“The Lamb Lies Down on Broadway”, um álbum duplo, é com certeza o trabalho mais ambicioso do Genesis. Peter Gabriel baseou-se em seus sonhos e devaneios para contar a história surreal de Rael, um jovem delinqüente porto riquenho que mora em Nova York e é transportado para uma outra dimensão, onde vive estranhas aventuras, em busca de seu suposto irmão, que no fim das contas pode se tratar de uma busca à sua própria essência. Coisa de louco e de gênio!

Lamb_10

A sequência de fotos da capa mostra cenas de Rael…

Lamb_11

… que continuam a se desenrolar na cotracapa.

Peter Gabriel pretendia transformar a história em um filme, que seria dirigido por William Friedkin (dos clássicos “Operação França” e “O Exorcista”), mas a coisa não foi para frente.

Peter Gabriel caracterizado de Rael

Peter Gabriel caracterizado de Rael

Pela já comentada diversidade do álbum, ele possui algumas passagens esquisitas (poucas!) e, por outro lado, contém algumas das músicas mais sublimes (muitas!) criadas pela banda. O que resulta ao final é, para mim, o melhor álbum do Genesis.

Uma das fantasias de Peter Gabriel para a turnê do álbum

“Slipperman”: uma das fantasias de Peter Gabriel para a turnê do álbum

FAIXAS

Todas as faixas compostas por Banks, Collins, Gabriel, Hackett e Rutherford.

 

Lado 1

1. The Lamb Lies Down on Broadway
2. Fly on a Windshield
3. Broadway Melody of 1974
4. Cuckoo Cocoon
5. In the Cage
6. The Grand Parade of Lifeless Packaging

Lado 2

1. Back in N.Y.C.
2. Hairless Heart
3. Counting Out Time
4. The Carpet Crawlers
5. The Chamber of 32 Doors

Lado 3

1. Lilywhite Lilith
2. The Waiting Room
3. Anyway
4. Here Comes the Supernatural Anaesthetist
5. The Lamia
6. Silent Sorrow in Empty Boats

Lado 4

1. The Colony of Slippermen
2. Ravine
3. The Light Dies Down on Broadway
4. Riding the Scree
5. In the Rapids
6. It

 

 

MÚSICAS

Ouça o álbum completo::

Anúncios

4 comentários sobre “Disco Nota 11: “The Lamb Lies Down on Broadway” – Genesis

  1. Para mim, o melhor album de todos os tempos. A primeira vez que escutei foi em 1976 com 6 anos de idade e confesso que passava medo em alguns trechos. Já me passou um filme na cabeça muitas e muitas vezes escutando este álbum. Acho que seria até capaz de escrever o roteiro de um (rs.). Obra prima.

    Curtido por 1 pessoa

  2. É, infelizmente este foi o último disco do Genesis a contar com o Peter Gabriel. O idiota do Phil Collins (baterista) ainda estava na banda e mais tarde iria assumir o lugar dele nos vocais. A partir daí o grupo começou a ficar chato pra mim.

    Curtido por 1 pessoa

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s