Disco Nota 11: “Selling England by the Pound” – Genesis

Paulo Fernandes

Selling England (1)

 

A GÊNESE DO MEU GOSTO PELO GENESIS

Confesso que não me interessei muito pelo Genesis durante a década de 1970, que é simplesmente a melhor fase do grupo. Eu gostava de I Know What I Like, única música do Genesis a tocar no rádio na época, mas pensava que se o som da banda fosse todo naquela linha seria enjoativo. Que tonto eu era!

Ainda bem que temos, às vezes, chances de mudar de direção. E foi quando eu conheci o trabalho solo de Peter Gabriel, e me encantei, no início da década de 1980 que resolvi engatar uma marcha ré e ouvir os trabalhos do Genesis sob a liderança daquele que era o meu novo ídolo. E o primeiro de muitos (todos com Peter Gabriel no comando) foi exatamente o tema deste artigo: “Selling England By The Pound”, lançado em 1973. Posso dizer que recuperei o tempo perdido e hoje considero o Genesis uma das minhas bandas favoritas.

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A GÊNESE DO GENESIS

O Genesis foi formado em 1967, quando seus membros iniciais ainda eram estudantes da escola inglesa Charterhouse. Os colegas de escola e conjunto eram Peter Gabriel (vocais), Anthony Phillips (guitarra), Chris Stewart (bateria), Mike Rutherford (baixo) e Tony Banks (teclados), os dois últimos estão no grupo até hoje.

GENESIS - FROM GENESIS TO REVELATION

A turma do primeiro disco

Com essa formação lançaram o primeiro disco “From Genesis to Revelation”, em 1969. Um trabalho interessante, mas ainda longe do que de melhor fariam no futuro.

O segundo disco, “Trespass”, de 1970, já começa a apresentar elementos que seriam refinados e melhorados nos trabalhos posteriores.

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A FASE ÁUREA

Em 1971, para a gravação do terceiro disco, “Nursery Crime”, o Genesis já contava com outro guitarrista: Steve Hackett e outro baterista: Phil Collins.

Genesis

A turma que brilhou entre 1971 e 1975

E é esse time de primeira – Banks, Collins, Gabriel, Hackett e Rutherford – que entre os anos de 1971 e 1975 produziria os melhores trabalhos do Genesis, com os álbuns: “Nursery Crime”, “Foxtrot”, “Selling England By The Pound” e “The Lamb Lies Down on Broadway”, o último com Peter Gabriel. Cada um melhor que o outro, numa sucessão progressiva de qualidade.

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VENDER A INGLATERRA PELA LIBRA

O álbum “Selling England By the Pound”, em sua primeira faixa: Dancing with the Moonlit Knight, tem uma introdução que é sensacional e inesquecível: Peter Gabriel, a capella, pergunta “Can you tell me where my country lies?”, os outros instrumentos vão entrando um a um até a explosão da banda completa.

Genesis_Peter_Gabriel

Show do Genesis em 1973, com PeterGabriel em uma de suas fantasias

Joey Ramone uma vez disse que gostava de bandas que possuem um som distinto, daquelas que você pode escutar uma música que não conhece e dizer: “Isto é Beatles!, Aquilo é Pink Floyd! E este daqui é Genesis!”

O Genesis gabrielino fazia um rock progressivo de linhas clássicas e, se assim podemos dizer, tipicamente inglês, com elementos da tradição trovadoresca inglesa e do teatro elizabetano.

Um dos grandes diferenciais do Genesis – em relação a outros conjuntos de rock progressivo – está nas letras sarcásticas, teatrais e bem-humoradas de Peter Gabriel. Elas são um painel satírico da Inglaterra da década de 1970, remexendo no seu passado glorioso em contraste com o presente de consumismo, americanização e alienação.

Peter Gabriel fantasiado de Britannia, para a execução de Dancing with the Moonlit Knight

Peter Gabriel fantasiado de Britannia, para a execução de Dancing with the Moonlit Knight

Se ao vivo Peter Gabriel encarnava vários personagens, com suas mudanças de figurino e maquiagem, no disco ele pontua esses personagens, fazendo para cada um uma voz diferente, como fica bem caracterizado na faixa The Battle of Epping Forest.

Merecem destaque as épicas Firth of Fifth e Cinema Show, presentes até hoje no repertório de shows da banda.

A capa do disco é uma pintura de Betty Swanwick, que serviu de inspiração para o maior sucesso comercial do grupo até então: a excelente I Know What I Like.

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FAIXAS

Todas as faixas compostas por Banks, Collins, Gabriel, Hackett e Rutherford.

Lado A

1) Dancing with the Moonlit Knight
2) I Know What I Like (In Your Wardrobe)
3) Firth of Fifth
4) More Fool Me

Lado B  

1) The Battle of Epping Forest
2) After the Ordeal
3) The Cinema Show
4) Aisle of Plenty

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MÚSICAS

Ouça o álbum completo:

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3 comentários sobre “Disco Nota 11: “Selling England by the Pound” – Genesis

  1. Faz um tempinho que eu não ouço discos do Genesis (tenho todos da fase Peter Gabriel, incluindo o primeiraço, o renegado “From Genesis to Revelation”). Eu tive uma “fase prog”, que fui deixando para trás após perder um pouco o entusiasmo pelo gênero, principalmente depois que eu li “Please Kill Me” e quis experimentar com afinco MC5, The Stooges (mas já ouvia Iggy Pop solo), Television… Mas nesse momento eu pude separar o joio do trigo: não era qualquer rococó na música, ou enrolação instrumental qualquer, que me impressionaria. Me dei conta, por exemplo, que um bocadão de coisas do Yes (que eu, inclusive, tinha visto ao vivo na primeira fila) não passava de chiclete: você coloca na boca, sente o gostinho bem aguçado no começo, mas você mastiga, mastiga, o gosto vai embora, e mastiga e mastiga e mastiga… e, no final, você está mastigando por mastigar, não sobra nada de fato importante. Ao mesmo tempo, me dei conta que valia a pena preservar os discos do Genesis desse período, os discos do Pink Floyd, King Crimson, e continuar mantendo uma certa reserva com relação ao resto. Voltando ao Genesis, “Selling England by the Pound” é soberbo, um lindo disco, e “Firth of Fifth” e “Cinema Show” até hoje me arrepiam, porque a química entre os músicos realmente se traduz, ali, em passagens/trechos memoráveis. Foi meu disco #1 deles por muito tempo. Mas, hoje, já com pontos de vistas e opiniões diferentes, gosto de mais de ouvir a formação com Anthony Philips: sua abordagem, mais acústica e folk, é dos charmes no que hoje é o meu favorito do Genesis: “Trespass”. Um abraço.

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  2. Gratíssimo por tantos presentes maravilhosos. Não reposto TODOS por falta de espaço. Guardo sempre um para meus e.mails aos domingos. Este será o 2015/119.1, de hoje (03/05/2015) – Diretamente do KAVERN CLUB PASTINHA’S, recebam um grande abraço deste incorrigível/incansável VELHO/73 ROQUEIRO.

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