O Mundo Fascinante dos Discos

Paulo Fernandes

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AMOR TÁCTIL

Caetano Veloso disse em sua música Livros: “Os livros são objetos transcendentes / Mas podemos amá-los do amor táctil / Que votamos aos maços de cigarro”. Posso substituir livros por discos, pois estes também possuem transcendência e amo-os – além, é claro do amor auditivo, do amor táctil, visual e olfativo (em alguns casos).

Podem me chamar de careta e fora de moda, mas para mim a música só é completa se estiver estampada em um meio físico, seja em CD ou em vinil.

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A facilidade que os meios eletrônicos atuais trouxeram ao ato de ouvir música é inegável. Temos acesso rápido a coisas inatingíveis há alguns anos, mas toda essa facilidade provocou, em minha opinião, uma banalização da apreciação musical. É a música fast-food, baixada hoje e excluída amanhã, geralmente descontextualizada e não permitindo uma apreciação global, quando existente, de suas qualidades e do pensamento de seus autores e intérpretes.

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137 ANOS DE SOM GRAVADO

A invenção do fonógrafo de cilindro, por Thomas Edison, data de 1877. Começava ali a grande aventura do som gravado.

O próximo passo importante, dado em 1889, foi o advento do fonógrafo de disco, creditado a Emile Berliner, e chamado de Gramofone. Os discos desse período giravam a 78 rpm (rotações por minuto), feitos de goma-laca, material duro e pesado. As gravações eram mecânicas e contemplavam um espectro limitado de freqüência sonora, o que não impediu a rápida popularização do Gramofone.

 

Gramofone (Fonte: Wikipedia)

Gramofone (Fonte: Wikipedia)

A qualidade de reprodução dos discos deu um salto na década de 1920 com a introdução da gravação elétrica e o uso de amplificadores e filtros. No final da década de 1940 os discos começaram a ser fabricados em vinil, material mais leve, mais maleável e mais resistente que a goma-laca.

A introdução do vinil trouxe outro grande benefício: uma capacidade maior de armazenamento de som, já que os discos rodavam a 33 rpm.

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O DISCO COMO OBRA DE ARTE

As possibilidades que a tecnologia do vinil abriu para os músicos foram imensas. Os primeiros a se beneficiar foram os músicos de jazz. Tinham agora o espaço disponível de 40 minutos (ou mais) que o LP (long play) proporcionava às suas improvisações – antes impossíveis de caber em menos de 10 minutos dos antigos 78 rpm.

Os músicos de jazz foram também pioneiros – ainda na década de 1950 – no cuidado artístico com as capas que embalavam suas gravações. Voltamos, então, à discussão do início desse artigo: não bastava agradar os ouvidos dos fãs, mas também seus olhos e mãos.

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Disco colorido do Mars Volta, que pensei estar sujo de talco.

O pop e o rock demoraram um pouco mais para embarcar nesse mundo fascinante, baseavam, então, seus lançamentos em compactos (não confundir com compact disc) ou singles (discos menores, com 2 ou 4 músicas) que rodavam a 45 rpm ou 33 rpm (no caso do Brasil). Os LPs serviam, nesse caso, como coletânea de músicas já lançadas.

Foi preciso esperar até o início da década de 1960, e por artistas como Bob Dylan e os Beatles, para que o LP fosse alçado ao status de obra de arte planejada e executada como tal. O esquema de lançamento se inverteu: primeiro era lançado o LP, e depois os compactos (singles) com músicas extraídas do álbum.

Foi esse fascínio fetichista que me conquistou na adolescência e nunca mais me largou, e que me incentiva a escrever os textos da seção “Discos Nota 11”.

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O COMPACT DISC – CD

No final da década de 1980 chegou ao mercado o CD de leitura ótica, com a promessa de mais praticidade, resistência e qualidade sonora. Pois bem, a praticidade sacrificou o visual: de 30 cm de diâmetro do LP para os 12 cm do CD. A resistência é uma verdade parcial, pois um LP bem cuidado pode durar muito mais que um CD. Quanto à qualidade há controvérsias e depende muito da qualidade de gravação, mixagem e masterização. Os meus CDs (em edições especiais) do Pink Floyd e do Led Zeppelin têm som muito melhor que as edições nacionais em vinil, já a primeira edição dos discos dos Beatles em CD é inferior aos lançados em LP.

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Arte: Arnaldo Branco (g1.globo.com)

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ALGO EM COMUM

Atualmente, após chegar ao ponto de quase extinguir minha coleção de LPs, voltei a adquirir discos de vinil (tanto novos, quanto usados) sem, no entanto, me desfazer dos CDs.

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Voltando à música do Caetano que abre esse texto e lembrando de uma antiga propaganda de cigarros na TV: Eu não abro mão do prazer dos meus discos. Se o seu prazer é som digital hi-tech, virtual e portável, tudo bem, “cada um na sua, mas com alguma coisa em comum”: o gosto pela música!

 

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O AMOR TÁCTIL PELOS DISCOS EM FILMES

“Alta Fidelidade” (EUA) – O personagem principal é dono de uma loja de discos.

“Durval Discos” (BR) – O personagem principal é dono de um “sebo” de discos. Rita Lee faz uma ponta no filme.

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Um comentário sobre “O Mundo Fascinante dos Discos

  1. Obrigado pela aula que me renovou conhecimentos. Acredito ainda ter uns 800 LPS, 150 CS/CD e alguns 45/RPM, adquiridos a partir do ano de 1.960. Ja tive muito mais, porem me fizeram um furto de monta, na casa de minha saudosa mãe, onde estavam guardados, por falta de espaço na minha residência em Goiânia (de 1983 a 2008).

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