Disco Nota 11: “Tommy” – The Who

Paulo Fernandes 

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ÓPERA ROCK 

No princípio era um ritmo adolescente, mas o rock queria mais. Queria alcançar o status de arte. Partindo dos discos conceituais, aqueles cujas músicas são unidas por um mesmo tema (ou conceito), chegou-se à ópera rock. Numa aproximação da ópera tradicional, na qual existe um enredo e personagens, o rock ousou contar histórias musicadas com início, meio e fim.

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As primeiras experiências nesse formato aconteceram na Inglaterra na segunda metade da década de 1960. O psicodélico Nirvana (não confundir com o grupo grunge estadunidense) gravou, em 1967, “The Story of Simon Simopath”, sem grande repercussão. Depois veio o Pretty Things com a cultuada “F. S. Sorrow”, de 1968. Mas a glória de definir o gênero coube a Pete Towshend e The Who com “Tommy”, de 1969.

Em seu álbum “A Quick One”, de 1966, a faixa-título foi chamada de mini-ópera por contar, em seus 9 minutos, uma história pontuada por diferentes, e interligados, temas musicais.

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UM MESSIAS CEGO, SURDO E MUDO 

O resumo da ópera é o seguinte:

Tommy Walker é filho de um militar britânico da Primeira Guerra Mundial, considerado morto em batalha. Acontece que seu pai volta, três anos após o fim da guerra, e mata o amante de sua mãe. Tommy assiste a tudo e é obrigado pelos pais a acreditar que ele não viu, não ouviu e não falará sobre o assunto. Dessa forma, Tommy, se torna literalmente cego, surdo e mudo aos 7 anos de idade.

Trancado em seu próprio mundo, Tommy segue uma jornada na qual suas sensações físicas são interpretadas como música. Anos mais tarde, ao esbarrar numa máquina de Pinball, começa a jogar freneticamente e se torna invencível nesse jogo, angariando uma legião de fãs.

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Roger Daltrey (Tommy) no filme “Tommy”

Diante de um espelho, Tommy parece conseguir enxergar seu reflexo. O espelho é quebrado por sua mãe e o rapaz fica curado.

Com intuito de compartilhar sua experiência, das trevas à luz, com seus fãs, Tommy assume a figura de um messias e estabelecendo uma doutrina com culto, no “Campo de Férias de Tommy”, e tudo mais. Porém as coisas não saem como o planejado e, graças às interferências nefastas de seus parentes, os “fiéis” se voltam contra Tommy.

Roger Daltrey, Eric Clapton, John Entwistle e Pete Townshend  no filme "Tommy"

Roger Daltrey, Eric Clapton, John Entwistle e Pete Townshend no filme “Tommy”

O final é ambíguo, não fica claro se Tommy alcançou um novo patamar de libertação ou se novamente fechou-se em seu mundo interior.

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A MÚSICA DE TOMMY 

A música de “Tommy” segue, digamos assim, uma estrutura mais ou menos rígida e sem muitos desvios do eixo central escolhido por Townshend, afinal é uma ópera nos moldes clássicos com direito a abertura instrumental e temas melódicos recorrentes. Apesar disso é uma delícia acompanhar a história, com seus diálogos e narrações, emoldurada com música de primeira grandeza: o mod acelerado tradicional daquela fase do Who. Um dos destaques é o onipresente violão de Townshend.

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TOMMY NO CINEMA 

O diretor britânico Ken Russell, que gostava de filmar enredos relacionados à música, lançou sua versão cinematográfica da história de Tommy em 1975. Algumas alterações foram feitas nessa versão: a história se passa logo após a Segunda Guerra Mundial e aqui o pai de Tommy é morto pelo amante de sua mãe.

Ann-Margret, Roger Daltrey e Oliver Reed no filme "Tommy"

Ann-Margret, Roger Daltrey e Oliver Reed no filme “Tommy”

Estrelado pelo vocalista do Who, Roger Daltrey, no papel principal, conta também com Ann Margret (a mãe), Oliver Reed (o amante da mãe), Elton John (jogador de Pinball desafiado por Tommy), Tina Turner (a Rainha do Ácido), Eric Clapton (pastor do culto a Marilyn Monroe), Jack Nicholson (médico), Keith Moon (o tio tarado de Tommy), além de Pete Townshend e John Entwistle que aparecem como músicos da banda de Tommy.

Keith Moon (tio Ernie) no filme "Tommy"

Keith Moon (tio Ernie) no filme “Tommy”

Apesar do clima datado e francamente kitsch do filme, o resultado final é muito bom e acabou por ganhar a aura de cult (e eu me incluo entre seus fãs).

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FAIXAS

Todas as faixas compostas por Pete Townshend, com exceção das indicadas.

Lado 1

1) Overture
2) It’s a Boy
3) 1921
4) Amazing Journey
5) Sparks
6) Eyesight To The Blind (The Hawker) (Sonny Boy Williamson II)

Lado 2

1) Christmas
2) Cousin Kevin (John Entwistle)
3) The Acid Queen
4) Underture

Lado 3

1) Do You Think It’s Alright?
2) Fiddle About (John Entwistle)
3) Pinball Wizard
4) There’s a Doctor
5) Go To The Mirror
6) Tommy Can You Hear Me?
7) Smash The Mirror
8) Sensation

Lado 4

1) Miracle Cure
2) Sally Simpson
3) I’m Free
4) Welcome
5) Tommy’s Holiday Camp (Keith Moon)
6) We’re Not Gonna Take It

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MÚSICAS

Ouça o álbum original completo:

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Clipes do Filme:

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