Disco Nota 11: “A Night at the Opera” – Queen

Paulo Fernandes

A Night at the Opera
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UMA LUZ NO FIM DO TÚNEL

O furacão da disco music, a discoteca (o estilo musical e não loja), que havia começado por volta de 1975 nos clubes de Nova Iorque, atingiu em cheio o Brasil nos anos seguintes. Para nossa chateação – público de rock – no final da década de 1970 só se ouvia discothèque (agora em francês), além disso, eram inauguradas inúmeras discotecas (clubes de dança onde só tocava disco music).

Studio 54, templo da disco music da década de 1970.

Studio 54, templo da disco music da década de 1970.

O punk, que já tomava conta da Inglaterra nessa época, mal era conhecido no Brasil. O que um garoto pobre de opções musicais novas poderia fazer na sonolenta e dançante Goiânia? Ainda bem que havia uma luz no fim do túnel!

Aproximava-se o dia 15 de agosto de 1977, fui com o meu irmão ao Bazar Paulistinha escolher meu presente de aniversário. Confortavelmente instalado numa cabine, escutei um monte de discos (objetos redondos feitos de vinil que reproduzem sons gravados) sem me apegar a nenhum. Eis que o vendedor que sempre nos atendia – infelizmente não me lembro seu nome – chega com 2 álbuns do Queen na mão: um de capa branca e outro de capa preta. Escutei os 2 e me apaixonei instantaneamente pelo de capa branca: “A Night at The Opera”, o outro era “A Day at The Races”.

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O QUEEN

O reinado do Queen começou na Inglaterra em 1970 com Freddie Mercury, Brian May, John Deacon e Roger Taylor. O grupo lançou seu primeiro álbum em 1973, “Queen”, caracterizado por um som pesado e trazia o sucesso Keep Yourself Alive.

A Night at the Opera_04

Em 1974 foram lançados “Queen II” e “Sheer Heart Attack” que mostram um trabalho mais elaborado e melódico. Nesse último o Queen começa a fazer sucesso nos EUA, consolidado por uma vitoriosa turnê americana nesse mesmo ano.

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UMA NOITE NA ÓPERA

Lançado em 1975, esse é um álbum espetacular, alto astral e bem humorado, seu título “A Night At The Opera” é uma homenagem ao filme de mesmo nome dos Irmãos Marx.

Cena memorável do filme "Uma Noite na Ópera" dos Irmãos Marx

Cena memorável do filme “Uma Noite na Ópera” dos Irmãos Marx

A combinação única entre hard rock, rock progressivo, música de teatro, reforçada por corais operísticos (as vozes de Mercury, May e Taylor em várias camadas superpostas) atinge seu ápice nesse álbum e se tornaria a marca registrada da banda. Incrível é a utilização dos recursos de estúdio, inclusive para suprir a ausência, declarada no encarte do disco, de sintetizadores.

Death on Two Legs (Dedicated to…) é uma das melhores músicas de abertura de todos os tempos. É um rock progressivo, mas o estilo único de tocar guitarra – às vezes soando igual a um violino – de Brian May e voz especial de Freddie Mercury a torna diferente de tudo que já ouvimos nesse campo.

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Lazing on a Sunday Afternoon traz leveza e alegria com seu ar bucólico e destaque para o solo de May. Alegria também é a marca de You’re My Best Friend, composta por John Deacon para sua esposa.

O hard rock I’m in Love with My Car é uma declaração de amor automobilístico, composta e cantada por Roger Taylor, com sua voz de timbre rouco e muito bem encaixada. Brian May, que estudou astronomia, é aficionado por ficção científica e mostra isso (cantando) em sua ’39 sobre viajantes espaciais e teoria da relatividade.

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Sweet Lady é um rock pesado com belos riffs de guitarra. É seguida pela divertida Seaside Rendezvous e seu clima de vaudeville. A influência progressiva aparece na épica e pesada The Prophet’s Song e sua letra onírica.

Uma das músicas mais conhecidas e de maior sucesso do Queen é a bela balada Love of My Life. Good Company possui um ritmo de jazz dixieland (o jazz dos primórdios feito em Nova Orleans) e Brian May toca ukelele (instrumento de cordas havaiano com raízes portuguesas).

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Bohemian Rhapsody é a faixa síntese desse álbum fantástico. Um épico de seções e andamentos distintos: balada – ópera – hard-rock – balada. Sua seção operística é muito divertida com os “diálogos” entre solista (Mercury) e coro (Mercury, May e Taylor com vozes multiplicadas).

O disco se encerra com um arranjo de Brian May para o hino inglês God Save the Queen.

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FAIXAS

Lado A

1.    Death on Two Legs (Dedicated To…) (Mercury)
2.    Lazing on a Sunday Afternoon (Mercury)
3.    I’m in Love with My Car (Taylor)
4.    You’re My Best Friend (Deacon)
5.    ’39 (May)
6.    Sweet Lady (May)
7.    Seaside Rendezvous (Mercury)

Lado B

1.    The Prophet’s Song (May)
2.    Love of My Life (Mercury)
3.    Good Company (May)
4.    Bohemian Rhapsody (Mercury)
5.    God Save the Queen (tradicional)

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CURIOSIDADES

O Queen flertou com a discothèque e a dance music em trabalhos posteriores, como na faixa Another One Bites the Dust do álbum “The Game” de 1980. E em praticamente todo o álbum “Hot Space” de 1982.

Após vários discos com a inscrição “No Synthesizers” todos 4 membros tocam sintetizadores no disco “The Game”.

Minha resistência à disco music acabou na década de 1980.

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MÚSICAS

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Ouça o álbum completo:

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