Disco Nota 11: “Radio-Activität” – Kraftwerk

Paulo Fernandes

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A ORIGEM DA MÚSICA ELETRÔNICA

Datam do final do século XIX as primeiras manifestações no desenvolvimento de instrumentos musicais eletrônicos. O princípio teórico, utilizado até hoje, era a produção de diferentes frequências sonoras por indução eletromagnética e controladas por teclados. Verdadeiros trambolhos, pesando algumas toneladas, esses bisavôs dos sintetizadores eram pouco práticos e despertaram pouco interesse.

Após a 1ª Guerra Mundial apareceram equipamentos mais práticos e compactos, como o Teremin (controlado pelos movimentos das mãos), e posteriormente, na década de 1930, o órgão Hammond, equipamento que deixou sua sonoridade marcante no rock dos anos 1960.

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O teremin tocado por seu inventor o russo Lev Termen (ou Léon Theremin)

Outro ponto que pode parecer curioso aos entusiastas da moderna música eletrônica, em suas várias correntes: techno, acid, trance, house, etc., é que ela começou como um movimento dentro da música clássica (ou erudita). Um dos compositores pioneiros, e mais influentes, foi o francês Edgar Varèse.

Nas décadas de 1940 e 1950 surgiram duas grandes correntes musicais: na França, a Música Concreta e na Alemanha, a Elektronische Musik. O destaque dessa fase é o compositor Karlheinz Stockhausen, influência declarada de grandes nomes do rock, entre eles Frank Zappa.

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O ROCK E A MÚSICA ELETRÔNICA

Na década de 1960, o rock começa a incorporar instrumentos eletrônicos como o órgão Hammond, que já era usado antes no jazz. Podemos ouvir seus sons em trabalhos de Bob Dylan, Beatles, Deep Purple, Uriah Heep, Emerson, Lake and Palmer e até Roberto Carlos.

Robert Moog e alguns de seus sitetizadores

Robert Moog e alguns de seus sintetizadores

Novos equipamentos surgem na década de 1960, com destaque especial para os sintetizadores desenvolvidos por Robert Moog, que ganham novos adeptos entre as bandas de rock.

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O KRAUTROCK E O KRAFTWERK

Entre o final dos 60 e início dos 70, no meio de várias bandas de rock, com forte uso de tecnologia eletrônica, surgidas na Alemanha: Faust, Tangerine Dream, Can, Amon Düül II e Neu!, apareceu o grupo que teria seu nome eternamente ligado à música eletrônica: o Kraftwerk.

Kraftwerk

Kraftwerk

Estas bandas, e outras não citadas, tinham em comum um afastamento do modelo de rock anglo-americano em favor de um caminho próprio, mais radical e experimental como parte de uma nova cultura germânica. Esse movimento musical alemão ganhou o nome de Krautrock. Interessante notar que, mais ou menos, nesta mesma época surgiu um movimento de renovação do cinema alemão, conhecido como Junger Deutcher Film, que revelaria ao mundo cineastas como Wim Wenders, Werner Herzog, Volker Schlöndorff e Rainer Werner Fassbinder.

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Nascido em 1970, caberia posteriormente ao Kraftwerk fazer a ponte entre o Krautrock – e também o progressivo eletrônico de influências clássicas – da década de 1970 e o pop-rock dançante, do qual derivaram as diversas tendências da música eletrônica das décadas posteriores. A base de sua música sempre foi o uso maciço de sintetizadores. Após terem lançado três álbuns, o reconhecimento e o sucesso chegaram com o quarto álbum: “Autobahn” de 1974.

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RADIOATIVIDADE

Eu gosto muito de “Autobahn”, que inclusive é considerado o melhor disco do Krafwerk pela crítica, mas o meu preferido é “Radio-Activität” (“Radio-Activity” em inglês), talvez por ter povoado meu imaginário adolescente em seu misto de mistério e encantamento nas noites que eu ficava escutando este álbum numa cabine do Bazar Paulistinha, conforme já escrevi aqui no blog.

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Lançado em 1975, “Radio-Activität” é um disco conceitual que brinca com a ambiguidade de seus temas: de um lado a perigosa radioatividade, e do outro a atividade de transmissão via rádio. As econômicas letras são cantadas tanto em alemão, quanto em inglês, e os dois temas do conceito, por vezes, aparecem – como piadas de duplo sentido – a dialogar dentro da mesma canção. Não nos iludamos, a séria e impassível postura dos membros do grupo esconde um sutil e refinado senso de humor.

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FAIXAS 

Todas as músicas compostas por Hütter, Schneider e Schult, exceto as indicadas. 

Lado A

1) Geiger Counter / Geigerzähler (Hütter, Schneider)
2) Radioactivity / Radioaktivität
3) Radioland
4) Airwaves / Ätherwellen
5) Intermission / Sendepause (Hütter, Schneider)
6) News / Nachrichten (Hütter, Schneider)

Lado B

1) The Voice of Energy / Die Stimme der Energie
2) Antenna / Antenne
3) Radio Stars / Radio Sterne
4) Uranium / Uran
5) Transistor (Hütter, Schneider)
6) Ohm Sweet Ohm (Hütter, Schneider)

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MÚSICAS

 

Ouça o álbum completo:

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Um comentário sobre “Disco Nota 11: “Radio-Activität” – Kraftwerk

  1. Cheguei ao Kraftwerk via New Order, naturalmente… Como fã do New Order, inúmeras vezes vi o Kraftwerk ser mencionado como influência. A minha porta de entrada no som deles foi o álbum “The Mix”, que, convenhamos, não acho que seja uma introdução adequada (mas só me dei conta disso depois). Fiquei um tanto insatisfeito na época (o que não quer dizer que não tenha gostado) e dali pulei para o “Computer World”, um álbum pouco badalado na discografia deles, mas que eu acho sensacional (a versão original de “Computer Love” é soberba). “Radio-Activity” é um LP que considero importante porque, até onde eu sei, é o primeiro disco de MÚSICA POP totalmente feito com sintetizadores (“Autobahn” ainda trazia instrumentos “normais” e outros álbuns 100% eletrônicos lançados até então não eram de música popular). Todavia, não acho que seja o melhor disco do Kraftwerk – essa honraria eu deixo para o “Trans-Europe Express”. Mas o “Radio-Activity” tem uma das faixas cujo som ainda acho assustadoramente moderno: “Antenna”. Mal dá para acreditar que foi feita em 1975!!! Para mim, uma das faixas mais brilhantes do Kraftwerk em toda sua carreira. Abraço.

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