Disco Nota 11: “Flaming Pie” – Paul McCartney

José Maurício

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TORTA FLAMEJANTE

Os anos 90 começaram muito bem para os beatlemaníacos, particularmente pra mim que pude ajudar Paul McCartney bater o recorde de publico pago em show de rock.  Eu fazia parte dos mais de 184 mil fans que foram ao Maracanã naquela noite chuvosa de abril ajudar Sir James. Ele ainda voltaria em dezembro de 1993, me levando a São Paulo pela primeira vez. Em 94 é lançado o disco duplo “Live at BBC” como teste para um lançamento mais ambicioso: “Beatles Anthology”. O primeiro CD duplo (vinil triplo) foi lançado em novembro de 1995 contendo Free as a Bird (musica solo de John que Paul e George completaram e os três Beatles remanescentes gravaram sobre a voz de Lennon). Em março de 96 foi lançado o “Anthology 2” (com a inédita Real Love) e, em outubro do mesmo ano a coleção de 3 álbuns era completada.

George, Jeff Lynne, Paul e Ringo durante os trabalhos do projeto Anthology.

George, Jeff Lynne, Paul e Ringo durante os trabalhos do projeto Anthology.

Depois de ouvir todo o arquivo sonoro dos Beatles da EMI (um curso de reciclagem, segundo o próprio Paul) para selecionar o material de “Anthology”, McCartney, saturado de Beatles, começou a compor. O Resultado é “Flaming Pie”, título tirado de uma resposta de John quando perguntado a respeito do nome Beatles com “A” (originalmente o nome era Beetles, significado de besouro que foi modificado para Beatles, um trocadilho com a palavra beat, ou seja, ritmo). Cansado dessa explicação, Lennon disse que um homem com uma torta flamenjante (flaming pie) nas mãos apareceu e disse a partir de hoje vocês se chamarão Beatles, com “a”.

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Paul e Linda

Lançado em 1997 e produzido pelo próprio Paul e por Jeff Lynne (Electric Light Orchestra, Traveling Wilburys), “Flaming Pie” foi composto em meio à luta de Linda, mulher de Paul, contra um câncer que a vitimaria no ano seguinte. Foi nesse clima de nostalgia e reflexão que Paul, lembrando do tempo que os Beatles NÃO tinham pra compor e gravar um disco, juntou a família e alguns amigos e entre fevereiro de 1995 e fevereiro de 1997 compôs e gravou um dos melhores discos de sua carreira solo.

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FATIANDO A TORTA

Logo de cara, somos avisados da retrospectiva que Paul faria de sua carreira com a primeira faixa: The Song We Were Singing. A constatação de que sempre retornamos às canções que cantávamos nos velhos tempos, ou como as músicas marcam algum período da nossa vida. Uma canção é boa quando nos remete a um determinado tempo e lugar. Em janeiro de 1995, Paul estava na Jamaica, bebendo vinho e conversando sobre a solução cósmica quando teve a ideia para a canção.

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The World Tonight é um rock que inicialmente seria um número acústico, foi ganhando peso durante as gravações com as guitarras de Paul e Jeff Lynne. Composta nos E.U.A., durante um feriado em 1995, recebeu o seguinte comentário de Paul: “As palavras foram se juntando, como ‘eu volto a muito longe, eu estou em frente a mim’ – eu não sei de onde isso veio, mas se eu estivesse escrevendo com John, ele teria apoiado e dito deixe isso aí, nós não sabemos o que significa, mas nós sabemos o que significa.”

If You Wanna foi gravada apenas por Paul (vocal, bateria, baixo, guitarra e violão de 12 cordas) e Steve Miller (vocais adicionais, guitarra e violão). “Eu queria escrever algo que refletisse os E.U.A., quando você está dirigindo um Cadillac através de uma grande estrada no deserto …”

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Steve Miller e Paul

 “Vejo que você não perdeu o toque” foi o que disse George Martin ao ouvir Somedays após um pedido de Paul para que ele fizesse o arranjo para orquestra. Escrita em duas horas enquanto Paul esperava Linda em uma sessão de fotos. Outra canção escrita contra o relógio foi Young Boy, tem Steve Miller nas guitarras e backing vocal e Paul no restante dos instrumentos.

Calico Skies gravada e mixada em apenas uma sessão foi a primeira canção para o disco. Co-produzida por George Martin, tem todos os instrumentos e vocais feitos por McCartney. Flaming Pie finaliza o lado A do Long Play. Ao procurar uma rima para Sky, fly, cry, Paul lembrou da brincadeira de John: “Ooo, flaming pie”, disse ele.

Heaven on a Sunday abre o lado B, tendo James McCartney (filho de Paul) como guitarrista solo. “Eu estava velejando sozinho em um pequeno barco: Peaceful, like heaven on a Sunday (pacífico, como o paraíso num dia de domingo), assim veio a primeira frase da canção”.

Used to Be Bad nasceu de uma jam session com Steve Miller na guitarra tocando um riff de blues e Paul na bateria. O vocal foi feito pelos dois em apenas uma tomada. Depois Paul adicionou o baixo e a bateria.

A guitarra de Souvenir nos remete imediatamente aos Wings (grupo formado por Paul após o fim dos Beatles). No final da música foi adicionado um “ruído” de disco de 78rpm criando uma atmosfera retrô pedida por Paul.

Little Willow foi escrita depois da notícia da morte de uma amiga como uma resposta pessoal à tristeza, mas com esperança, pensando nos filhos dela.

Paul e Linda, Ringo e Barbara em uma solenidade em 1997.

Paul e Linda, Ringo e Barbara em uma solenidade em 1997.

Finalmente, Paul solta as baquetas, mas deixa a bateria com Ringo Starr, seu parceiro nesse rock básico: Really Love You. Um dia depois de gravarem Beautiful Night, a dupla se reúne para uma jam session com Jeff Lynne na guitarra, Ringo na bateria e Paul no baixo Hofner. É a primeira parceria McCartney/Starkey.

Beautiful Night, orquestração de George Martin, bateria de Ringo Starr, final falso, gravação da orquestra em Abbey Road e uma divertida jam session no final. Tudo nos remete aos Beatles.

Segundo Paul, Great Day é uma “canção otimista e de esperança, no espírito de todo o álbum”, por isso escolhida por ele para fechar “Flaming Pie”.

Propositalmente, omiti minha opinião sobre as músicas. Não tenho uma favorita (talvez The Song We Were Singing, Somedays ou Souvenir, mas The World Tonight, Young Boy e Heaven on a Sunday também são ótimas e If You Wanna ou Beautiful Night?). Na realidade o disco é excelente, Nota 11!.

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CURIOSIDADES

Mantenho lacrado meu LP (comprado por USD 85,00 mais USD 18,00 de frete – o mais caro que comprei), esperando um “Great Day” para abri-lo.

O LP e o baixo Hofner

O LP e o baixo Hofner

Depoimento do Paulo: “Não sei se o Zé Maurício se lembra, mas ele me deu esse disco (em CD) de presente no meu aniversário em 1997. Um disco duplamente especial.”

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FAIXAS

Todas as faixas compostas por Paul McCartney, exceto as indicadas.

Lado A

1) The Song We Were Singing
2) The World Tonight
3) If You Wanna
4) Somedays
5) Young Boy
6) Calico Skies
7) Flaming Pie

Lado B

1) Heaven on a Sunday
2) Used to Be Bad (Steve Miller, McCartney)
3) Souvenir
4) Little Willow
5) Really Love You (McCartney, Starkey)
6) Beautiful Night
7) Great Day

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MÚSICAS

 

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2 comentários sobre “Disco Nota 11: “Flaming Pie” – Paul McCartney

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