Nick Drake: Genialidade e melancolia no folk britânico

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RECONHECIMENTO TARDIO

Nick Drake morreu em 1974, aos 26 anos. Seus três álbuns lançados haviam vendido muito pouco até então, fato este que só fez agravar o quadro depressivo em que ele se encontrava. Quando de sua morte, ele voltara a morar na casa dos pais, e o que contaram seus parentes é que ele dormiu uma noite e não acordou no dia seguinte.

Final triste para o enorme talento do inglês Nick Drake – nascido na Birmânia – que desde criança se interessou pela música, tendo aprendido a tocar piano com sua mãe dentre outros instrumentos. Na segunda metade de década de 60, durante o auge da Swinging London e do rock psicodélico, o jovem introvertido se interessou pelo folk britânico e pelo trabalho de Bob Dylan.

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A técnica apurada e emocional de Drake ao violão – instrumento que sua tradicional família não aprovava – chamou a atenção de pessoas ligadas ao mundo da música. Desta forma em 1968 ele conseguiu a chance de gravar seu trabalho.

Em “Five Leaves Left” (1969), o primeiro álbum, assim como nos dois seguintes, todas as músicas são composições de Drake, que canta e toca violão e piano, acompanhado por membros dos grupos britânicos de folk: Fairport Convention e Pentangle. Basicamente é um disco de folk com influências da música clássica pós-romântica. Belo e melancólico, o disco foi recebido mornamente pela crítica e vendeu muito pouco.

"Five Leaves Left", "Bryter Layter" e "Pink Moon"

“Five Leaves Left”, “Bryter Layter” e “Pink Moon”

Creio que a gravação do segundo álbum “Bryter Layter” (1971) tenha sido o último grande esforço de Nick Drake para obter reconhecimento em vida. É um disco mais alegre, com elementos de jazz e uma levada mais pop, esta última por insistência do produtor e dos músicos que o acompanharam. Agora havia também a presença da bateria e um diversificado acompanhamento instrumental em cada faixa. John Cale fez uma participação em Northern Sky, tocando celesta, piano e órgão. A esperança de que o álbum fizesse sucesso comercial foi frustrada, novamente, pelo baixo volume de vendas. Foi depois disso que Nick começou a se isolar ainda mais e a afundar na depressão, tanto que não atendeu aos pedidos da gravadora para promover o álbum.

Mesmo afundado em mundo só seu, Drake gravou as músicas para seu terceiro álbum em 1972. A gravadora não estava muito interessada neste terceiro disco, mas concordou após a insistência de John Wood, engenheiro de som dos dois primeiros álbuns e produtor deste terceiro. Em “Pink Moon” (1972), não há outros músicos, apenas a voz e o violão de Drake, que também toca piano na faixa-título. O folk com letras sombrias e música celestial deste álbum, também não fez o devido sucesso na época de seu lançamento, só que desta vez, o seu criador não esperava mais que fosse diferente. Seu quadro de depressão se agravou, ele praticamente abandonou a carreira musical e voltou para a casa dos pais.

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Foi somente uma década após sua morte, que o trabalho de Nick Drake começou efetivamente a ser reconhecido, antes era apenas um punhado de fãs que fazia uma espécie de peregrinação à casa dos pais do músico. Em meados da década de 80, Drake passou a ser citado como influência por artistas como Peter Buck (do R.E.M.), os membros do Dream Academy e Robert Smith (do Cure). Este último ainda disse que o nome de sua banda veio dos versos “A trouble cure for a trouble mind” da música Time Has Told Me.

Essas declarações fizeram, finalmente, o grande público se interessar pela música de Drake. A pena é que ele não estava mais neste mundo para colher os louros que tanto perseguiu em vida.

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MÚSICAS

 

 

 

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5 comentários sobre “Nick Drake: Genialidade e melancolia no folk britânico

  1. Grande Central do Textão, finalmente encontrei um endereço ROCK neste universo de Blogs!
    Curtindo bastante o espaço de vocês; e esta postagem in memoriam sobre do Nick é mais que necessária em nossa história musical! Day is Done é um hino pra mim!
    Saudações a todos,
    Rebeca

    Curtido por 1 pessoa

  2. Que descoberta,Paulo.É uma pena mesmo ele não ter durado,não ter sido ouvido.Muitos,eu,inclusive,não consigo ouvir músicas contemporâneas.Digo que está muito pop,e nos esquecemos de que esse conceito sempre existiu,que deve ter uma música alternativa correndo,correndo contra a corrente.O que muito bem ocorreu na era de ouro do rock.Led Zeppelin era pop,Beatles,Rolling Stones,Who,uma gama enorme de bandas.Mas e o que não era considerado pop,vendável,o que ocorreu com esses músicos,que ficaram nas sombras dos grandes astros de sua era?Ficaram muitos pra trás, uns nunca serão achados.

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  3. mauro.pastinha@hotmail.com
    E.MAILS=2016-188 — 10/DOMINGO = 04:14
    DISCO NOTA 11 = NICK DRAKE – MELANCOLIA NO FOLK
    BRITÂNICO – Via = Pessoal do ROCKONTRO
    Infelizmente mais um belo compositor musical que parte antes dos 30. Nos belos anos 70/80, eu, Influenciado por tantos “apressadinhos”, pensava que não chegaria até a quarta década. Dizem que vaso ruim não quebra. Deve ser verdade, pois no dia 05/07 emplaquei 7.4 e, graças a Deus, HOJE, posso agradecer por me permitir comemorar os 13 anos do nascimento de meu filho/4 = SAMUEL AMORIM JAIME, medalha de ouro como melhor aluno do Colégio Militar “Hugo de Carvalho Ramos”, o principal da Capital do Estado. PARABÉNS ao meu amado “RECRUTA FREI SAMUEL GRÃO DE MILHO DOURADO PESCADOR”

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