Disco Nota 11: “Let It Bleed” – Rolling Stones

Paulo Fernandes

Publicado originalmente em 04/02/2011
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ANTI-BEATLES?

Os Rolling Stones começaram a rolar em Londres, por volta de 1962, em torno do núcleo de amigos Keith Richards (guitarra), Brian Jones (guitarra) e Mick Jagger (voz). No início o pianista Ian Stewart também fazia parte do grupo, mas por ser considerado careta pelo empresário Andrew Oldham ficou relegado a músico de apoio até sua morte em 1985. Logo depois entrariam Bill Wyman (baixo) e Charlie Watts (bateria).

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A proposta original da banda era tocar blues “de Chicago”. E com essa empolgação pela música negra norte-americana os Stones ficaram famosos no circuito de bares e clubes britânicos tocando covers de Jimmy Reed, Willie Dixon e Chuck Berry, entre outros.

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Em 1963 entra em cena o astuto empresário Andrew Oldham que consegue um contrato com a gravadora Decca, escaldada e arrependida por ter recusado contratar os Beatles. Oldham molda a imagem da banda como os anti-Beatles, explorando uma imagem de rebeldia e insubordinação. Criada e insuflada por Oldham a frase “Você deixaria sua filha se casar com um Rolling Stone?” ajudou a promover ainda mais o grupo.

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Na verdade essa história de rivalidade com os Beatles era pura jogada mercadológica já que as bandas colaboravam mutuamente, um dos primeiros sucessos dos Stones é I Wanna Be Your Man de Lennon e McCartney. Foi também por sugestão de Lennon e McCartney, e aí entra a imposição de Andrew Oldham, que Jagger e Richards começaram a compor material próprio.

 

 

OS DISCOS DOS ANOS 1960

O melhor caminho para se conhecer a obra dos Rolling Stones entre os anos de 1964 e 1968 é recorrer a coletâneas, dentre elas o excelente duplo “Rolled Gold”. Os discos desse período mesclam covers e algumas composições próprias e às vezes aquela música que a gente tanto gosta só saiu em compacto (single), caso das espetaculares Paint it Black, Jumpin’ Jack Flash e Honky Tonk Women.

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Em 1968 é lançado “Beggars Banquet” que tem dois dos maiores clássicos stonianos: Sympathy for The DevilStreet Fighting Man entremeados por pérolas semi-acústicas. Esse disco foi considerado pela crítica o ápice da banda até o momento, porém o melhor ainda estava por vir.

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Mick Taylor é o segundo da esquerda para a direita

“Beggars Banquet” marca também a última participação de Brian Jones como membro oficial dos Rolling Stones. Ele aparece em algumas faixas de “Let It Bleed”, mas já estava dispensado da banda pelo alegado motivo de “não conseguir conciliar sua dependência química e tendências depressivas com os compromissos profissionais”. Morreu logo em seguida afogado na piscina de sua casa.


DEIXE SANGRAR

É um disco que melhora a cada audição. É impossível resistir ao charme e à força daqueles blues e hard rocks  tão recheados de “coisas belas e sujas”. Sexo, sado-masoquismo, violência, desilusões e drogas envoltos em melodias inspiradíssimas e arranjos de tirar o fôlego. Mick Taylor, substituto de Brian Jones, participa de seu primeiro disco como membro da banda.

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Era 1969, fim de década, fim do sonho e “Let It Bleed” retrata bem esse clima já em sua faixa inicial: a apocalíptica, soturna e irresistível Gimme Shelter. Na sequência um cover emocionado e emocionante de um blues de Robert JohnsonTrain in Vain. Country Honk o protótipo do sucesso Honky Tonk Women (que só saiu em compacto) é uma música  caipira acústica com rabeca e guitarra slide.

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A faixa-título Let It Bleed é um deboche delicioso cheio de uma “sujeira” explícita. Midnight Rambler é um blues pesado que fala sobre assassinatos. Keith canta uma bela história de amor em You Got the Silver.

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Dentre as músicas menos famosas dos Rolling Stones (aquelas que não aparecem em discos de coletânea e nem tocam no rádio) a minha preferida disparada é Monkey Man que reúne todos os elementos que fazem a gente dizer: isso é música boa dos Stones. A introdução com o piano de Nicky Hopkins é de arrepiar.

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A poderosa balada You Can’t Always Get What You Want, da introdução, um tipo de hino gospel cantado por um coral barroco inglês, pode parecer estranho mas o resultado é fantástico, o final apoteótico da canção, com toda a banda e coral, é o gran finale dessa obra-prima dos Rolling Stones.

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A contracapa

A capa, cuja excelente análise sócio cultural li num livro há alguns anos e não me lembro qual, é um espetáculo em frente (tudo arrumadinho e organizado) e verso (uma bagunça só).


FAIXAS

Todas as faixas compostas por Mick Jagger e Keith Richards, exceto “Love in Vain”.

 

Lado A

1.    Gimme Shelter
2.    Love in Vain (Robert Johnson)
3.    Country Honk
4.    Live with Me
5.    Let It Bleed

Lado B

1.    Midnight Rambler
2.    You Got the Silver
3.    Monkey Man
4.    You Can’t Always Get What You Want

 

 

MÚSICAS

Ouça o álbum completo:

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