“Lisztomania”: Liszt, o primeiro ídolo pop

Paulo Fernandes

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FRANZ LISZT, O PRIMEIRO ÍDOLO POP

O húngaro Franz Liszt (1811-1886) foi primeiramente, ao seu tempo, mais conhecido como pianista virtuose, do que como compositor. Liszt ficou famoso também por suas inúmeras aventuras amorosas e sua amizade com o compositor alemão Richard Wagner, que posteriormente seria seu genro.

Franz Liszt

Franz Liszt

Usando esses elementos reais, somados a uma boa dose de fantasia e invenção, o cineasta britânico Ken Russell lançou, em 1975, o filme “Lisztomania”. O filme retrata Liszt como o primeiro ídolo pop da história. Ele fazia sua plateia – composta maciçamente por moçoilas adolescentes – ir ao delírio quando se apresentava ao piano. A gritaria das meninas é semelhante àquela promovida pelas fãs dos Beatles no auge da Beatlemania.

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SEXO, POLÍTICA E ROCK AND ROLL

O filme se desenrola em episódios, mais ou menos baseados na vida do compositor e onde desfilam suas conquistas amorosas e sua preocupação com a autoimagem. Wagner é apresentado como um músico preocupado em fazer arte séria, e altamente engajado em questões sociais e políticas. Com o passar do tempo, Wagner vai de revolucionário de esquerda para reacionário de extrema direita e sua figura acaba por se fundir à do líder nazista Adolf Hitler.

Liszt (Roger Daltrey) leva as fãs à loucura.

Liszt (Roger Daltrey) leva as fãs à loucura.

A trilha sonora ficou a cargo do tecladista Rick Wakeman, com arranjos pop-progressivos para obras de Liszt e Wagner. Algumas das músicas receberam letras e são cantadas, em sua maioria, pelo vocalista do Who, Roger Daltrey. Daltrey, que já havia trabalhado com Russell no filme “Tommy”, está no papel principal como Franz Liszt.

Outros músicos participam do filme, entre eles: Paul Nicholas (Richard Wagner), Ringo Starr (o Papa) e o próprio Rick Wakeman, como o deus nórdico Thor criado por Wagner – à maneira da criatura de Frankenstein – para ser o poderoso protótipo da raça pura germânica. Ha, ha, ha, delirante a mente de Ken Russell.

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Liszt (Roger Daltrey) e Wagner (Paul Nicholas).

O filme e sua trilha sonora adaptada deixam a desejar em quesitos qualitativos, mas merece ser assistido pela sua ideia condutora (um leitmotiv?) e por ser tremendamente divertido. Insatisfeito com os resultados musicais, Rick Wakeman posteriormente refez e ampliou o repertório em um álbum intitulado “The Real Lisztomania”.

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FAIXAS DO ÁLBUM ORIGINAL “LISZTOMANIA”

Lado 1

1) Rienzi /Chopsticks Fantasia (Wagner/Liszt)
2) Love’s Dream (Liszt/ lyrics: Daltrey) – vocal: Roger Daltrey
3) Dante Period (Liszt)
4) Orpheus Song (Liszt/ lyrics: Jonathan Benson, Daltrey) vocal: Roger Daltrey
5) Hell (Liszt/ translation: Forsythe) – vocal: Linda Lewis

Lado 2

1) Hibernation (Rick Wakeman)
2) Excelsior Song (Liszt/ lyrics: Wakeman, Russell) – vocal: Paul Nicholas
3) Master Race (Wagner)
4) Rape, Pillage and Clap (Wagner)
5) Funerailles (Liszt/ lyrics: Benson) – vocal: Roger Daltrey
6) Free Song (Hungarian Rhapsody) (Liszt)
7) Peace At Last (Liszt/ lyrics: Benson, Daltrey) – vocal: Roger Daltrey

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O FRANZ LISZT HISTÓRICO

Liszt passou à história como um músico inventivo e inovador, que atuou em diversos campos da escrita musical e foi o criador do poema sinfônico, gênero musical instrumental que se baseia em um programa (enredo) prévio. Ele era realmente um exímio pianista e há registros de que suas apresentações ao piano faziam o público, principalmente o feminino, ir aos limites da histeria. Contribuía para isso o fato de ser um cara bonito e saber usar isso a seu favor.

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Pintura de Josef Danhauser mostra o círculo de amizades de Liszt. Sentados: Alexandre Dumas, George Sand, Liszt e Marie d’Agoult. Em pé: Victor Hugo, Niccolò Paganini e Gioachino Rossini. Um busto de Beethoven paira acima do piano.

Um fato interessante é que o termo ‘Lisztomania’ não foi criado para o filme, mas foi usado pelo escritor alemão – contemporâneo de Liszt – Heinrich Heine, para descrever a enorme empatia que existia entre o pianista e seu público durante os recitais e concertos, e que transformava tais eventos em experiências místicas.

Além dos lados galã e pop star, Liszt era um bom sujeito que ajudou a divulgar o trabalho de muitos colegas de profissão: Richard Wagner, Frederic Chopin, Hector Berlioz, Edvard Grieg , Camille Saint-Saëns e Aleksander Borodin, entre outros.

Ao final da vida, talvez cansado de tanta boêmia, Liszt entrou para uma ordem franciscana e se tornou abade. Morreu aos 74 anos de idade.

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MÚSICAS (VÍDEOS)

Álbum da trilha sonora de “Lisztomania” (em lista de reprodução):

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Trailer do filme:

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Um comentário sobre ““Lisztomania”: Liszt, o primeiro ídolo pop

  1. EMAILS=2016-018 — 23/janeiro-sábado = 03:00-HBV
    DISCO NOTA 10 = L I S Z T O M A N I A
    Gratíssimo, fieis companheiros do ROCKONTRO. Quando morei em Goiânia,
    sob inspiração da amiga MÉRCIA e do meu primo Maestro JOAQUIM JAYME,
    da Orquestra Sinfônica de Goiás (revivida no Governo do saudoso HENRIQUE
    SANTILLO), tive minha época “CLÁSSICOS” quando, de 1987 a 1994, comprei
    mais de 400/quatrocentos CDs dos GRANDES MESTRES DA MÚSICA.
    A postagem vai ganhar só 10, porque faltou a faixa=6, lado/2 = FREE SONG
    (HUNGARIAN RHAPSODY) — No mais , só PEDRA 90. — N A M A S T Ê.
    PAZ & BEM, E ATÉ AMANHÃ, SE DEUS NOS PERMITIR

    Curtido por 1 pessoa

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