Memórias, Momentos e Músicas: Rei Artur, “Excalibur” e Carl Orff

Guinevere (Cherie Lungui) E Artur (Nigel Terry)

Guinevere (Cherie Lungui) e Artur (Nigel Terry) com a espada Excalibur

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“O FORTUNA” DE CARL ORFF

As histórias de cavalaria me fascinam desde criança. Toda aquela pompa de nobres cavaleiros e seu código de conduta, as batalhas, as justas e o amor, quase nunca consumado, por donzelas virtuosas, ocupou um bom lugar no meu imaginário infanto-juvenil.

Dentre todas as lendas medievais, a história do Rei Artur e os Cavaleiros da Távola Redonda é a que mais me encantava. Não existe comprovação histórica da existência de Artur. Especula-se que ele tenha sido um líder tribal bretão que resistiu às invasões dos saxões à Grã Bretanha no século V. A imagética do Rei Artur – com a qual estamos acostumados hoje – foi compilada de várias fontes cerca de seiscentos anos depois. Daí o anacronismo entre a época em que teria vivido o Artur histórico e sua representação de séculos adiante: nas roupas, costumes, armas, construções, etc.

O primeiro encontro entre Lancelote (Nicholas Clay) e Artur (Nigel Terry)

O primeiro encontro entre Lancelote (Nicholas Clay) e Artur (Nigel Terry) no filme “Excalibur” de 1981

Porém como diz a máxima “Se a lenda é mais interessante que a realidade, publique-se a lenda”. E foi deste último Rei Artur – vestido em uma reluzente armadura e vivendo em um imponente castelo gótico – que eu aprendi a gostar. Ainda mais quando li um livro da “Coleção Clássicos da Literatura Juvenil”, da Abril Cultural, baseado numa das obras mais importantes sobre o lendário rei: “A Morte de Artur” do inglês Thomas Malory, publicado em 1485.

O Livro! Imagem gentilmente cedida pelo amigo André Marques (já que o meu exemplar não tenho mais! Buáááá´!!!

O Livro! Imagem gentilmente cedida pelo amigo André Marques (já que o meu exemplar não tenho mais! Buáááá´!!!

Em 1981 foi lançado aquele que considero o filme definitivo sobre a lenda arturiana: “Excalibur” de John Boorman. Baseado no livro de Malory, é um filme deslumbrante até hoje e que não conseguiu ser superado em sua força e beleza pelas obras posteriores que foram realizadas. O nome do filme se refere à mítica espada do Rei Artur.

Os grandes personagens deste filme são Merlin, O Mago – interpretado brilhantemente por Nicol Williamson – que dá um tom ora divertido ora profundamente filosófico à história e o seu contraponto feminino: Morgana, A Fada, papel de Helen Mirren. As disputas entre os dois magos interferem a todo momento nos destinos dos meros mortais.

Morgana (Helen Mirren) e Merlin (Nicol Williamson)

Morgana (Helen Mirren) e Merlin (Nicol Williamson)

Outra coisa que me faz amar este filme – e tê-lo entre os meus prediletos – é sua trilha sonora recheada principalmente com trechos de obras de Richard Wagner – outro artista que ajudou bastante a sedimentar a “lenda dourada” em torno da Idade Média com suas monumentais óperas baseadas em mitos medievais. É particularmente estonteante a utilização do tema da “Música Fúnebre de Siegfried” – da ópera “O Crepúsculo dos Deuses” ao final do filme.

Porém havia uma música no filme que eu ainda não conhecia e adorei ouvi-la. Ela toca durante a linda e florida sequência do “renascimento” do Rei Artur – e de toda a terra britânica – ao efeito do Santo Graal. Passei algum tempo sem saber que música era aquela – afinal não havia internet naquela idade média da informática – e só descobri depois de assistir ao filme em videocassete e poder pausar os créditos finais. Tratava-se de “O Fortuna” da cantata cênica “Carmina Burana” do compositor alemão Carl Orff.

Carl Orff

Carl Orff

Orff compôs esta cantata em 1936, utilizando textos e poemas profanos dos séculos XI e XII, ou seja, numa tentativa de aproximação ao espírito musical medieval mais realista do que as obras de Wagner.

A canção de abertura e de encerramento da cantata – e que aparece no filme – “O Fortuna” trata de um símbolo do mundo antigo, porém muito caro à mentalidade medieval, a Roda da Fortuna, que gira eternamente e traz alternadamente boa e má sorte aos homens. Muito bem encaixada no filme, pois mostra o Rei Artur e a própria Grã Bretanha saindo de um ciclo negativo para uma era mais propícia.

O Rei Artur comanda novamente seus cavaleiros numa terra renascida, ao som de "O Fortuna"

O Rei Artur comanda novamente seus cavaleiros numa terra renascida, ao som de “O Fortuna”

Um filme que merecer ser visto mais de uma vez e uma música que vale a pena ser ouvida com atenção, e na íntegra!

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“O Fortuna” no filme:

“O Fortuna” com a Orquestra Filarmônica de Berlim – regência Seiji Ozawa:

“Música Fúnebre de Siegfried” no filme:

“Música Fúnebre de Siegfried” com a Orquestra Filarmônica de Londres – regência Klaus Tennstedt:

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5 comentários sobre “Memórias, Momentos e Músicas: Rei Artur, “Excalibur” e Carl Orff

  1. Como sempre ocorre, me pedi numa viagem musical do tipo uma puxa a outra. e nesta viagem entre Shubert, wagner e outros encontrei uma cantora de Hollywood, uma soprano Deanna Durbin, que voz, vale a pena dar uma olhada. Não tem como entrar neste site e alem de ouvir uma musica boa, não passar horas de alivio mental. Parabens a toda a turma do rockontro.

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  2. E.MAILS=2016-258 – – – 18/DOMINGO = 06:40
    DISCO NOTA 11 = MMM – REI ARTUR – ESCALIBUR
    Via Pessoal ROCKONTRO (PAULO FERNANDES)
    PUTZ, AGAIN, OLD AND BIG PAULO. Você que matar os velhotes, pelo coração.
    ALELUIA – Retorna a saga MMM – MEMÓRIAS, MOMENTOS & MÚSICAS, cada
    vez mais interessante, cultural e altamente gratificante. Tudo ótimo, porém o
    último vídeo “SIEGFRIED DEATH AND FUNERAL MARCH (RICHARD WAGNER),
    com a Sinfônica de Berlim, regida pelo “monstro” KLAUS TENNSTEDT, durante
    10 minutos, propiciou-me a mais emocionada e sentida regência que já assisti.
    Dedico aos manos 2=SÉRGIO e 5=GETÚLIO TARGINO LIMA. — N A M A S T Ê.

    Curtido por 1 pessoa

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