“Melhor que Os Beatles?” – Um certo olhar da Medicina

Jorge Daher Jr.

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Meu primeiro contato com The Beatles foi através do “Álbum Branco”, dois LPs de grossa espessura, recheados de músicas que inicialmente me soaram como de extremo mau gosto – quem diria que após 30 anos eu tocaria Birthday para comemorar meus, à época, quase cinquenta!

Se o contato inicial não me afastou de ouvir o quarteto mágico da música, aprofundar e conhecer suas composições foi tarefa fácil para o longo dos anos vindouros. Com as músicas digitalizadas em arquivos eletrônicos, ter toda a obra dos rapazes de Liverpool não foi tarefa difícil. Para mim que não sou músico, a qualidade da reprodução digital não me fere os ouvidos e as vozes de Paul e John se tornaram companheiras de vários textos médicos, conferências e pesquisas que saíram do deslizar quase ligeiro de meus dedos sobre o teclado de cada um de meus Mac utilizados nas últimas duas décadas.

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Calor insuportável em um quarto de hotel em Uberaba, início do mês de dezembro de 2013, olho para o paletó que usaria uma hora e muitos graus Célsius mais tarde, Paul está cantando Penny Lane em uma Beatles rádio online, a palestra da noite está quase pronta e, estalo! Acendeu em mim uma pergunta, o que foi produzido na literatura médica americana tendo os Beatles como tema?

Americano tem visão interessantíssima ao perceber influências diretas e indiretas sobre a saúde. Um grupo que fervilhou a América não deve ter passado despercebido, não ao menos por psiquiatras e psicólogos sociais, pensei imediatamente. Mãos à obra, PubMed aberto, pesquisa realizada, resultado um pouco decepcionante para mim, apenas 20 artigos médicos com o tema The Beatles (“Beatles”[AllFields] AND (“1960/01/01″[PDAT] : 2014/01/31″[PDAT]).

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Se eu esperava uma enxurrada de artigos, convenhamos Jorge, 20 artigos é muita coisa! De todos eles, a maioria gira em torno de um tema interessante, o desenvolvimento da Tomografia Computadorizada pela EMI (gravadora dos Beatles). Sem a verba conseguida com as vendas estrondosas de discos do grupo inglês, teria a EMI condições de financiar Geofrey Hounsfield e equipe para desenvolvimento do aparelho que revolucionou a Medicina, ao inaugurar uma nova era na imagenologia?(1).

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Outro artigo que chamou muito a atenção foi o relato de caso de uma criança de 6 meses que tinha crises de epilepsia evocadas por músicas tocadas em volume alto, principalmente músicas de… Beatles! Todas as músicas dos quatro de Liverpool tocadas evocaram crises na criança(2). Certamente essa pequena criança chinesa tinha epilepsia de felicidade, diriam alguns beatlemaníacos mais fanáticos, mas algo deve ser pesquisado sobre a forma como as músicas dos Beatles foram compostas e, principalmente produzidas. A estereofonia típica, voz predominantemente de um lado, instrumentos predominantemente de outro, teria influência?

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E para terminar, um conceito que se tornou lei na indústria farmacêutica como marco no desenvolvimento de novas drogas: “better than the Beatles”. O que os big bosses da indústria perguntam é se toda medicação tem que ter a exigência jamais cumprida pelas bandas pós-Beatles – toda música que surge tem que ser melhor que a dos Beatles? Isso é quase impossível.

Curiosamente escrevo sobre os Beatles sem ouvir uma música deles sequer, contrariando a forma como sempre me relacionei com meus textos em meus computadores. Salvo pelo gongo! Hey Jude… é o toque do meu celular, que tem Paul cantando com a multidão mais um de seus eternos hits. Deixo de atender, vou ouvir Lennon em A Day in The Life, cujo final me lembra Stravinsky, um quase vizinho de John no UperSide de Nova York, separados pelo tempo e por algumas quadras do Edifício Dakota.

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REFERÊNCIAS

1.         Maizlin ZV, Vos PM. Do we really need to thank the Beatles for the financing of the development of the computed tomography scanner? Journal of computer assisted tomography. 2012 Mar-Apr;36(2):161-4. PubMed PMID: 22446352. Epub 2012/03/27. eng.

2.         Lin KL, Wang HS, Kao PF. A young infant with musicogenic epilepsy. Pediatric neurology. 2003 May;28(5):379-81. PubMed PMID: 12878300. Epub 2003/07/25. eng.

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MÚSICAS 

 

 

 

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