Disco Nota 11: “London Calling” – The Clash

Paulo Fernandes

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PUNK ROCK

Uma convergência de fatores sociais e musicais, por volta de 1976, possibilitou o surgimento de uma corrente musical e estética que passou a ser conhecida como Punk: a) nos EUA uma tendência de volta ao passado com músicas simples, curtas, diretas e dançantes; b) na Inglaterra a recessão econômica colocou mais alguns ingredientes nessa receita: o desencanto social e a revolta política.

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E foi esse “modelo” inglês que primeiro chegou ao Brasil e incentivou a formação das primeiras bandas de punk nacionais. Falando por experiência própria eu escutei primeiro os ingleses do Sex Pistols, Buzzcocks e Clash, antes de saber quem eram os Ramones.

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A CENA PUNK INGLESA

A importância dos Sex Pistols para o punk, talvez seja maior que a sua própria música. A anarquia e a enorme capacidade de autopromoção da banda, conduzida pelo astuto empresário Malcolm McLaren, em pouco tempo sacudiu a Inglaterra e atraiu uma legião de seguidores. Qualquer garoto proletário agora podia ter sua própria banda, e nem precisava saber tocar um instrumento. Logo haviam centenas de bandas seguindo o exemplo dos Pistols. E uma dessas bandas se destacou para além das fronteiras do punk: O Clash.

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Recomendo para quem quiser se aprofundar no assunto dos primórdios do movimento punk o livro “O Que é Punk” do brasileiro Antonio Bivar.

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THE CLASH

Enquanto os Sex Pistols se preocupavam mais com a atitude punk e no que fazer, não necessariamente em termos de música, para chocar a conservadora sociedade inglesa, o Clash desde seu início tinha uma forte preocupação com a música e sua temática política e social. Formado em torno de 3 personalidades fortes: o politizado Joe Strummer, o guitar-hero Mick Jones e o garoto loiro de Brixton: Paul Simonon, o Clash foi de 1977 a 1982 a banda mais instigante e inteligente, primeiramente do punk e depois, de todo o rock.

Mick Jones, Joe Strummer e Paul Simonon

Mick Jones, Joe Strummer e Paul Simonon

Desde o primeiro disco “The Clash” (1977), com um repertório calcado num punk poderoso e letras de forte cunho social, a cada lançamento o grupo aumentava seu leque de misturas sonoras incorporando outros elementos musicais. “Give’em Enough Rope”(1978) o segundo disco já soa mais polido e mostrando
que a primeira leva do punk dava sinais de exaustão e falta de caminhos. A obra-prima viria em 1979 com o terceiro disco “London Calling”.

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LONDRES CHAMA

É um disco excelente da primeira até a última de suas 19 faixas. A banda que nasceu punk havia feito um dos melhores discos de rock (sem sub-gênero) da história.

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A mistura musical que o Clash vinha experimentando em seus trabalhos anteriores encontra aqui o perfeito equilíbrio: rock de primeira qualidade com pitadas aqui e ali de reggae, pop, rockabilly, jazz e R&B. As letras continuam verdadeiros manifestos socialistas, porém sem soar chatas ou panfletárias aliviadas por um bom-humor altamente crítico. A produção primorosa ajudou a dar coesão a essa profusão de ideias e sons diversos.

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Outro destaque é a capa homenageando (ou parodiando) a do primeiro disco de Elvis Presley.

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FAIXAS

Lado A

1) London Calling
2) Brand New Cadillac
3) Jimmy Jazz
4) Hateful
5) Rudie Can’t Fail

Lado B  

1) Spanish Bombs
2) The Right Profile
3) Lost In the Supermarket
4) Clampdown
5) The Guns Of Brixton

Lado C

1) Wrong ‘em Boyo
2) Death Or Glory
3) Koka Kola
4) The Card Cheat

Lado D

1) Lover’s Rock
2) Four Horsemen
3) I’m Not Down
4) Revolution Rock
5) Train In Vain

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MÚSICAS

Ouça o álbum completo:

 

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