Disco Nota 11: “Secos & Molhados” – Secos e Molhados

Paulo Fernandes 

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OS ANOS 70

“O sonho acabou” disse John Lennon no início dos 70. As mortes trágicas de Jimi Hendrix, Janis Joplin e Jim Morrison cuidaram de ratificar a sentença de Lennon. Após sua adolescência florida e sonhadora nos anos 1960, o Rock entrou em sua terceira década milionário e seguindo por uma infinidade de caminhos distintos. São os anos do Rock Pauleira (esse era o termo usado antes de adotarmos Hard Rock ou Heavy Metal), Rock Progressivo, Jazz Rock, Glam/Glitter Rock.

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SECOS & MOLHADOS

Nenhum grupo brasileiro representou tão bem esse caldeirão de sons e modismos, que caracterizou a primeira metade dessa década, quanto o Secos & Molhados. Com sua postura visual glam/glitter, suas letras emprestadas de grandes escritores, embaladas em excelentes arranjos instrumentais e vocais e melodias que carregam influências do rock e da MPB.

O fundador da banda e seu principal compositor: o português João Ricardo, filho do poeta e jornalista João Apolinário, possuía uma sólida influência literária que aliada à paixão por Beatles e Elvis Presley o fez seguir a carreira musical.

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Para completar o grupo, João convidou seu amigo e vizinho Gerson Conrad, o único que possuía formação musical e tocava vários instrumentos. O último e mais sensacional elemento dessa química era, o hoje consagrado, Ney Matogrosso. Ney sempre transitou muito bem em diferentes manifestações artísticas: pintura, teatro, artesanato, iluminação cênica e canto.

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Essa versatilidade de Ney Matogrosso foi decisiva na identidade visual do grupo desde sua estréia nos palcos em 1972. Máscaras, maquiagem e cenários extravagantes se tornaram a marca registrada do grupo. O sucesso foi tão grande que logo foram contratados pela Continental para gravar seu primeiro disco.

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CARDÁPIO VARIADO

Lançado em 1973, Secos & Molhados é até hoje um dos maiores fenômenos fonográficos da música brasileira. E não é para menos, pois é impossível apontar uma sequer entre suas treze faixas que seja, ao menos, mediana. Todas elas foram sucessos estrondosos no rádio. E o ano de 1973 foi do Secos & Molhados, lotando shows e vendendo milhares de cópias do disco.

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O álbum é aberto com a bela Sangue Latino seguida por O Vira, com seu ritmo do folclore português. Essas duas e mais Rosa de Hiroshima, com o contundente poema de Vinícius de Moraes, são as três músicas mais lembradas.

Escutar esse disco inteligente e bem produzido é uma experiência sempre gratificante. Os temas e os elementos musicais não se repetem: temos a balada O Patrão Nosso de Cada Dia, a sutil crítica à repressão política da ditadura em Primavera nos Dentes, o rock progressivo, também com tintas políticas, de Assim, Assado. Elementos de psicodelismo em Fala e Prece Cósmica, ritmos folclóricos brasileiros e sul-americanos em Rondó do Capitão e El Rey, ajudam a eternizar essa obra-prima atemporal.

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A capa de Secos & Molhados é um espetáculo à parte: as cabeças dos três membros da banda, mais a do baterista Marcelo Frias, servidas em bandejas numa mesa com outros gêneros alimentícios, secos e molhados.

Com essa formação a banda lançaria somente mais um disco em 1974. Logo em seguida, divergências financeiras entre os membros implodiram o grupo ainda no mesmo ano. João Ricardo e Gerson Conrad tentaram carreiras solo sem muito sucesso. Quanto a Ney Matogrosso, como sabem, se transformou em um dos grandes nomes de nossa música.

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FAIXAS

 

Lado A

1) Sangue Latino (João Ricardo/Luli)
2) O Vira (João Ricardo/Luli)
3) O Patrão Nosso de Cada Dia (João Ricardo)
4) Amor (João Ricardo/João Apolinário)
5) Primavera nos Dentes (João Ricardo/João Apolinário)

Lado B

1) Assim, Assado (João Ricardo)
2) Mulher Barriguda (João Ricardo/Solano Trindade)
3) El Rey (Gerson Conrad/ João Ricardo)
4) Rosa de Hiroshima (Gerson Conrad/Vinícius de Moraes)
5) Prece Cósmica (João Ricardo/Cassiano Ricardo)
6) Rondó do Capitão (João Ricardo/Manuel Bandeira)
7) As Andorinhas (João Ricardo/Cassiano Ricardo)
8) Fala (João Ricardo/Luli)

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MÚSICAS

Ouça o álbum completo:

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Clipes:

 

 

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3 comentários sobre “Disco Nota 11: “Secos & Molhados” – Secos e Molhados

  1. Quando lançaram era uma coisa de doido, caras seminus com caras pintadas ( ainda não sabia o que era gay), musicas com letras e ritmos fortes e claro com a voz do Ney Matogrosso que até hoje admiro. Ante ontem passou no “na rádia” uma musica com ele cantando e comentei com a Marlene o quanto a voz dele era marcante. E porque não dizer dele próprio que tem o respeito e admiração de seus colegas. Ótimo disco. Sangue Latino e Rosa de Hiroshima para mim são as melhores.

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