Disco Nota 11: “Big Science” – Laurie Anderson

Paulo Fernandes

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O FÉRTIL TERRENO MUSICAL DOS ANOS 80

Já ouvi muitos detratores do rock feito na década de 80, como já havia escutado antes os que maldiziam os anos 70. Mas, a minha visão é totalmente distinta e considero essa uma época muito rica para o rock. Grandes estrelas surgidas nas décadas anteriores ainda estavam em plena forma nos 80: Rolling Stones, Paul McCartney, David Bowie Paul Simon; por outro lado o furacão punk possibilitou o surgimento de uma legião enorme e diversa de novos talentos. Um momento impar para o rock, inclusive para o Brasil que viveu nesse período uma explosão quantitativa e qualitativa de sua cena roqueira nunca antes vista na história do país.
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UMA TURMA ESPECIAL

O que vou afirmar neste capítulo é um sentimento e uma visão pessoal minha, pois nunca li nada sobre isso.

Havia uma turma de músicos que ajudou a criar um caldeirão musical bastante instigante nos anos 80, pelo menos nos primeiros anos. Se pegarmos as fichas técnicas de alguns dos melhores discos de rock desses anos haverá uma grande possibilidade de nos depararmos com alguns desses nomes: Brian Eno, Robert Fripp e Peter Gabriel.

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Brian Eno, membro fundador do grupo de glam rock Roxy Music. Peter Gabriel, membro fundador do progressivo Genesis. Robert Fripp, fundador e único membro fixo das diversas formações e orientações musicais do King Crimson. Em comum os 3 tinham a curiosidade de experimentar sons e ritmos, e a capacidade de trabalhar com outros músicos e bandas, quer como protagonistas ou como elementos de apoio.

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COMO FUI APRESENTADO A ESSA MENINA

Foi em algum ponto do início dos anos 80 que, por indicação de um amigo, ouvi e me tornei fã do grupo estadunidense Talking Heads, que tinha como produtor, em alguns de seus melhores trabalhos, Brian Eno, além de contar com a canja de Robert Fripp em algumas de suas músicas. Havia outro guitarrista que volta e meia tocava com os Talking Heads: Adrian Belew, companheiro de Fripp no King Crimson a partir de 1981.

E foi procurando um disco de Robert Fripp em parceria (não disse!) com Andy Summers, guitarrista do Police, que acabei conhecendo e me apaixonando pela arte de uma mulher de cabelos espetados que mais parecia um menininho: Laurie Anderson.

LightMouth

Fui à Opus, extinta loja de discos de Goiânia, procurar pelo tal disco. Carlinhos, o dono da loja além de grande figura, grande papo e grande conhecedor musical, me disse: “Não o tenho na loja, mas acho que talvez goste desse da Laurie Anderson, tem um time muito bom participando do disco dela”.

Peguei o LP, chamado “Mr. Heartbreak”, e comecei a ler os nomes dos colaboradores: Peter Gabriel, Adrian Belew, William Burroughs!? (o que o maluco poeta beatnik está fazendo aqui?), Nile Rodgers (guitarrista do Chic). Sem pestanejar levei o disco para casa e o saboreei em seus mínimos e ricos detalhes.

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Aquilo era um som realmente distinto. Não era música eletrônica nem rock progressivo, mas se valia de sintetizadores e texturas diversas. Laurie cantava, e às vezes recitava as letras, com sua voz límpida e de belo timbre, por vezes modificada por aparatos eletrônicos. Ela também tocava um violino todo preparado (por ela mesma) que às vezes soava como um violino e por vezes até falava e emitia sons estranhos.
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“BIG SCIENCE”

A música de Laurie Anderson realmente mexeu muito comigo e fiquei ávido por conhecer mais trabalhos dela. Voltei à Opus e comprei seu primeiro disco: “Big Science”, de 1982, que só era disponível na época em edição importada (e cara!).

Mais surpresas boas, essa mulher é uma usina inesgotável de ideias musicais (ou num sentido mais amplo: artísticas). Como definir seu som? Melhor não nos preocuparmos com isso e curtirmos suas músicas.

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Laurie Anderson é uma artista completa, daquelas que chamamos de “performáticas”. Dá-se bem com literatura, teatro e cinema. Seus shows são verdadeiros acontecimentos recheados com suas performances de intérprete musical, apresentadora, atriz, etc. Seu filme “Home of the Brave” capta magistralmente essas diversas personas artísticas. Eu exibi esse filme em um Rockontro em minha casa e apesar do estranhamento do Alan, creio que agradou à turma.

A diversidade artística de Laurie Anderson se reflete em seus trabalhos musicais e, ao escutarmos esse “Big Science” podemos “ver” filmes, peças teatrais e livros feitos para os ouvidos e a mente.

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FAIXAS 

Todas as músicas compostas por Laurie Anderson.

Lado A

1) From the Air
2) Big Science
3) Sweaters
4) Walking & Falling
5) Born, Never Asked

Lado B

1) O Superman (for Massenet)
2) Example #22
3) Let X=X
4) It Tango

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CURIOSIDADES

  • Laurie Anderson tem formação superior em História da Arte e Escultura;
  • Só consegui achar o disco que fui procurar na Opus, “I Advance Masked”, de Robert Fripp e Andy Summers, há cerca de 2 anos num sebo do Rio de Janeiro.
  • Laurie Anderson é a viúva do músico Lou Reed;
  • O disco “Verde, Anil, Amarelo, Cor de Rosa e Carvão”, de Marisa Monte, conta a participação especial de Laurie Anderson em uma de suas faixas, além da regravação de uma música de Lou Reed da época do Velvet Underground;
  • Laurie, além de seus violinos diferenciados, já inventou uma série de instrumentos musicais.

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MÚSICAS

 

Ouça o álbum completo – Lista de Reprodução:

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3 comentários sobre “Disco Nota 11: “Big Science” – Laurie Anderson

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