MOA: Fiasco a Céu Aberto – Capítulo 3 (Final)

Alanzera

MOA: MERDA OPEN AIR OU FIASCO A CÉU ABERTO

Capítulo 3/3

Caso você ainda não tenha lido os Capítulos anteriores clique nos links: MOA-Capítulo 1
MOA-Capítulo 2

DIA 3

Depois de uma noite mal dormida, o dia amanheceu quente e abafado como todos os outros. Resolvi tomar um banho pra refrescar as ideias – o último no Parque Independência. Quando voltei ao Alojamento Sepultura, algumas pessoas já tinham acordado e também estavam discutindo o que fazer, quando fazer e como fazer.

A ideia era simples: conseguir vaga em algum hotel de São Luis e então ficar hospedado até a hora de voltar pra casa. Porém, a comunicação com o mundo externo era precária. Não existiam telefones públicos no Parque e o meu celular, por exemplo, havia perdido o sinal desde o dia anterior. Conseguir falar com alguém era uma tarefa árdua.

Estábulo (Alojamento) Sepultura

Estábulo (Alojamento) Sepultura

Finalmente, após vários SMS e ligações que o Humberto trocou com a esposa dele, conseguimos reservar dois quartos no Hotel Íbis. Uma sensação momentânea de alívio tomou conta de nós. O próximo passo era desmontar as barracas, arrumar as tralhas e dar adeus ao nosso pesadelo coletivo.

Antes do “até nunca mais” que daríamos ao local, tiramos uma foto em frente ao acampamento com a galera que nos acompanhou e sofreu com a gente naqueles 3 dias.

Achando que o pior já tinha passado, fomos em busca de um táxi do lado de fora do Independência. Só que várias pessoas também queriam se mandar dali, então a cada carro que chegava havia uma disputa pra ver quem pegaria o táxi. Enfim conseguimos um, que nos levou adrenaliticamente ao tal Íbis. Menos 50 reais no bolso, felizmente divididos por 4 doidos.

Um dia de domingo de dia...

Um dia de domingo de dia…

Vários grupos de acampados também tinham feito suas reservas naquele hotel, e quando chegamos por lá a fila já estava grande e confusa. O ar-condicionado e o banheiro da recepção eram luxos que ajudavam a amenizar a espera. Mas o cansaço era grande.

Quando ficamos sabendo que os quartos só seriam liberados dali a duas horas (o relógio marcava umas 12 e pouco da tarde), decidimos sair pra comer algo. Depois de uns 20 minutos caminhando, achamos um Bob’s pelo caminho. A lanchonete ainda nem estava aberta, mas os funcionários que limpavam o local nos deixaram entrar.

De bobs no Bob's

De bobs no Bob’s

Tomamos uma cerveja enquanto isso e, depois de liberados para pedir, fizemos nossas escolhas e comemos nossos sanduíches-iches nutrrriiiii-ti-ti-vos. Demos muita risada da situação, tiramos sarro com uma manchete de jornal que dizia que o primeiro dia de festival tinha sido um sucesso e, devidamente comidos, voltamos pro nosso lar-doce-lar Íbis.

Os quartos ainda não tinham sido liberados, então dá-lhe espera!!! Sei lá mais quantos minutos ficamos por ali, só ensebando e jogando conversa fora. Quando finalmente subimos pros quartos, surpresa! As camas eram de casal. Mas pra quem dormiu em um estábulo, isso era o de menos.

Tomei um banho demorado, de água quente e com pressão bacana, bem diferente dos banhos do MOA. O Juliano, que dividiu o quarto comigo, foi logo em seguida pro chuveiro. Que isso fique claro: não tomamos banho juntos, tchê! Só dormimos na mesma cama. Mas nem rolou conchinha nem nada.

Devo ter dormido umas 3 horas no máximo. Acordei e resolvi dar uma circulada no lobby do hotel, onde algumas pessoas conversavam e bebiam animadas. Também fiz o check-in do voo de volta, pra garantir. Ao voltar pro quarto, o Juliano estava com uma bela cara de defunto. O cara tinha vomitado até as tripas, e também tremia de frio. Seria a maldição do Bob’s?

No hotel

No hotel

Como bom companheiro de quarto, tentei ajudar da melhor forma possível, mas o máximo que consegui fazer foi comprar uma garrafa d’água pro sujeito e oferecer um Eparema que eu carregava na minha bolsinha de primeiros socorros.

A situação estava mais ou menos sob controle, então eu, o Humberto e o Guilherme fomos jantar e ver o jogo do Parmera, capice? Aproveitando o clima italiano que se instalara no local, pedi um belo dum macarrão, que mais tarde me traria lembranças não muito belas.

Depois do jantar, voltei pro quarto, onde o Juliano ainda sofria em silêncio. Quer dizer, nem tão em silêncio, pois os suspiros que ele dava demonstrando o seu sofrimento me deixavam preocupado.

Meu voo estava marcado pra 5h40 e o do Juliano pra 3 e pouco, se não me engano. Tentei dormir um pouco antes de ir para o aeroporto, porque o combinado era sairmos 1h15 da manhã do hotel. Quando me levantei, lá pela meia-noite, o mundo girava. Lá se foi então esgoto abaixo o bendito macarrão que eu havia ingerido poucas horas antes. Ou o sanduíche do Bob’s. Ou os dois de uma só vez. Vai saber…

 

DIA 4

Pronto! Agora éramos dois doentes. Arrumamos nossas malas e seguimos pro maravilhoso galpão aeroporto internacional de São Luis. Dividimos o táxi com um casal do Rio de Janeiro que estava hospedado no mesmo hotel que a gente, e que tinha ido fazer turismo no Maranhão. Eles se compadeceram do nosso sofrimento, e também elogiaram a atitude dos rédbênguers, que não destruíram o local dos shows como todo mundo esperava.

Após despacharmos as nossas bagagens, eu fui ao banheiro eliminar o resto do macarrão e lá foi o Juliano pra enfermaria do barracão aeroporto. Fiquei com invejinha do cara, e depois de visitar o trono também me dirigi ao ambulatório. O dotô de plantão, que já tinha colocado o Juliano numa maca tomando soro na veia, me prescreveu uma injeção pra cortar o piriri. Eba!

Lembrança do pesadelo, enquanto no banheiro. Estábulos.

Lembrança do pesadelo, enquanto no banheiro. Estábulos.

De volta ao saguão, o que consegui fazer foi só procurar um lugar pra sentar e ficar por ali, rezando pra que as horas passassem depressa. Próximo do horário do voo do Juliano, fui até o ambulatório me certificar que ele não perderia seu voo. Felizmente ele já tinha ido pra sala de embarque, sabe-se lá em que estado.

Consegui uma fileira de 4 assentos livres em um local mais reservado do aeroporto e me deitei até o horário do embarque. Coloquei um Transatlantic pra rodar no iPod e, após umas 2 ou 3 musicas (ou seja, após 1 hora e meia), rumei pro embarque, desejando nunca mais voltar àquele local.

A conexão em Brasília foi só mais um capítulo dessa história surreal. Eu estava calmamente sentado no banheiro do aeroporto da capital federal quando escutei o sistema de som anunciando a última chamada pro meu voo, seguida dos nomes dos passageiros retardatários – o meu incluído. De forma guinessbookiana, me limpei, lavei as mãos e sai correndo feito um maluco até o portão de embarque. Ufa, embarquei!

No meu estado de choque, fiquei chocado ao lembrar da tropa de choque da PM.

No meu estado de choque, fiquei chocado ao lembrar da tropa de choque da PM.

Os minutos que separam BSB de GYN pareciam meses. Quando o avião finalmente tocou o solo da bela Goiânia, foi como se um filme passasse na minha cabeça. Pensei que cerca de 90 horas antes eu estava naquele mesmo local, imaginando o final de semana inesquecível que eu teria, vendo muitas das bandas que eu gosto tocarem ao vivo bem na minha frente. Não foi dessa vez. Quem sabe num futuro próximo. Quem sabe no Wacken, na Alemanha. Quem sabe…

.

FIM

 

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