David Gilmour em São Paulo: Lembrem-se daquela Noite

Paulo Fernandes   

 

 

E O AGONIADO FUI EU

Assistir a um show do Pink Floyd era um dos meus maiores sonhos musicais desde que eu escutei o álbum “The Dark Side of The Moon” pela primeira vez, isto há mais de 40 anos. Após a morte do tecladista Rick Wright, em 2008, eu transferi minhas expectativas para o David Gilmour. Parecia um sonho impossível, já que se falava que Gilmour estaria semi-aposentado e não teria mais vontade de fazer turnês.

Minha esperança se reacendeu quando foi noticiado que ele estaria preparando uma turnê mundial para 2015, e que possivelmente ela passaria pelo Brasil. Quase não acreditei. Combinei com meus amigos José Maurício e Alan que, caso se confirmassem as apresentações no país, faríamos de tudo para assistir.

E não é que – ainda no primeiro semestre de 2015 – foram confirmadas 3 datas no Brasil para dezembro deste ano!!?? Os ingressos começariam a ser vendidos nos primeiros minutos do dia 11 de setembro. Esperemos! Chegado o 11/09, por volta de 8h, eu recebi o telefonema do amigo José Neto com uma notícia tão bombástica quanto a destruição do WTC: os ingressos para o show de São Paulo – 12 de dezembro – estavam esgotados!!

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E agora José? José para onde? Fiquei alucinado e pedi ao Alan para ir tentando alguma remota chance no site de vendas. Por volta das 14h apareceram ingressos para cadeiras. Peguei meu cartão e falei para o Alan: “Compre 3 inteiras!”. Um para mim, um para o Alan e o outro para o José Maurício. Quando telefonei ao Zé e disse que havia comprado seu ingresso – e contei-lhe o preço – ele só não caiu porque estava deitado!

Um pouco mais tarde, o Alan conseguiu comprar mais um ingresso, desta vez uma meia. Estávamos então com 4 ingressos para 2 pessoas, pois o Zé não confirmou que iria. Para resumir essa jornada de agonia e êxtase, em escassas 3 horas várias coisas aconteceram: vendi e “desvendi” 2 ingressos; meu cartão foi bloqueado e desbloqueado; o José Maurício não iria e resolveu ir; a Cida (mulher do Zé) não estava incluída e entrou na festa; compramos as passagens de avião e reservamos hotel para o dia do show. Ufa!!! E pensar que o agoniado sempre foi o Zé!!!

Alegria que não cabia!!!

Alegria que não cabia!!!

Algum tempo depois, por causa da grande procura, foi aberto um show extra – em 11 de dezembro – para São Paulo. E o Zé Maurício que perigava não ir a nenhum foi nos dois.

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REMEMBER THAT NIGHT

Na tarde do show, chuva! Apreensão! O motorista de taxi, codinome “Sorriso”, que nos levava ao Allianz Parque, nos perguntava jocosamente o que iríamos fazer num show com chuva e se ofereceu para cantar dentro do carro – com direito a respingos de água mineral – por um preço infinitamente menor ao que já havíamos desembolsado.

A chuva foi acalmando de tal sorte que quando nos instalamos nas confortáveis cadeiras do estádio ela já havia parado e não retornaria mais naquele dia.

Alan, Paulo e Zé Maurício

Alan, Paulo e Zé Maurício

Menos de 10 minutos após a hora marcada – 21h – as luzes do belo estádio foram apagadas e Gilmour e sua excelente trupe começaram a executar a música  5 A.M., faixa de seu último disco solo. O que se seguiu foi um desfile de maravilhas sonoras, acompanhadas por um festival multicolorido de luzes. No repertório estavam entremeadas músicas da carreira solo de Gilmour com clássicos eternos do Pink Floyd, com estas levando uma ligeira vantagem na quantidade.

Nos momentos “floydianos” do show eu me senti transportado de volta a 1994, quando o Pink Floyd, sem Roger Waters, estava em turnê pelo mundo e cujo registro está no DVD “Pulse”, que eu tanto gosto. Ainda mais com aquele telão redondo com suas luzes dançantes. Sonho realizado! Que me desculpe o genial Waters, mas David Gilmour é mais floydiano que ele.

Panorâmica do estádio lotado

Panorâmica do estádio lotado

A voz de Gilmour, apesar dos seus quase 70 anos de idade, continua muito boa e sua refinada e melodiosa técnica na guitarra não sofreu com o passar dos anos. Aliás a combinação de sua voz e seus riffs e solos de guitarra são o que mais me evocam os melhores momentos do Pink Floyd.

A plateia que lotava o Parque Antártica ia ao delírio na introdução de cada música do Pink Floyd, e mais ainda quando foram executadas Wish You Were Here e Shine On You Crazy Diamond. Para mim os pontos altos do show foram as explosivas versões de Fat Old Sun e Astronomy Domine, esta última que já era delirante na origem ganhou peso e rapidez de fazer inveja a muita banda de rock pauleira. O Zé pediu para incluir na lista de destaques o solo final de Confortably Numb, por Gilmour ter conseguido melhorar o que já era perfeito!

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Três horas, incluindo 20 minutos de intervalo, de deslumbramento que me deixaram com a alma lavada e como bem disse a Muriel Parreira Leal: “Inesquecível! Emocionante! Perfeito! Não sei o que será da minha cabeça depois desse show. As expectativas aumentaram muito para os próximos eventos…”

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VÍDEOS

(Vídeo postado por Raphael Maia Valente)

(Vídeo postado por Joderorto1)

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3 comentários sobre “David Gilmour em São Paulo: Lembrem-se daquela Noite

  1. Vi três grandes guitarristas este ano: Al Di Meola (pura técnica), Mark Knopfler (técnica e emoção) e David Gilmour (pura EMOÇÃO!).
    Agradecimentos sinceros ao AGONIADO Paulo e ao Alan!!

    Curtido por 1 pessoa

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