Disco Nota 11: “Home of The Brave” – Laurie Anderson

OS ANOS 80

A década de 1980 foi muito importante para a minha curiosidade musical. Como comecei a trabalhar em 1981, tinha uma reservinha financeira para investir em LPs. Nesta época, ainda existiam ótimas lojas de discos em Goiânia e Brasília. Posso dizer que criei minha própria Lei de Oferta e Procura: eu procurava conhecer artistas e estilos diferentes, ao mesmo tempo em que tinha à minha disposição lugares com bastante oferta para saciar o meu desejo de conhecer.

E foi numa dessas buscas que fui à Opus, uma extinta loja de discos de Goiânia, procurar por um disco do Robert Fripp (King Crimson) em parceria com Andy Summers (Police). O LP não estava na loja, mas por orientação do Carlinhos, o dono da loja e grande papo e grande conhecedor musical, acabei levando para casa “Mr. Hertbreak”, 1984, da Laurie Anderson.

“Linguagem é um vírus do espaço sideral”

William S. Burroughs

Eu não conhecia nada dela, mas na primeira audição já fiquei impressionado pelos sons inovadores que ela produzia. O disco tinha participações especiais de gente que eu já gostava: Peter Gabriel, Adrian Belew, Nile Rodgers (Chic) e até do poeta beatnik William Burroughs! Uma música realmente distinta. Não era música eletrônica nem rock progressivo, mas se valia de sintetizadores e texturas diversas. Laurie cantava, e às vezes recitava as letras, com sua voz límpida e de belo timbre, por vezes modificada por aparatos eletrônicos. Ela também tocava um violino todo “preparado” (por ela mesma) que às vezes soava como um violino e por vezes até falava e emitia sons estranhos.

Gostei tanto do que ouvi que logo já corri para adquirir outro álbum de Laurie, que foi “Big Science”, de 1982. Virei fã!

“HOME OF THE BRAVE”

Em 1986, Laurie Anderson empreendeu um dos seus projetos mais ambiciosos: o filme concerto “Home of The Brave” e sua trilha sonora homônima. O filme é repleto de sons e imagens espetaculares e o álbum, que possui algumas versões diferentes para as músicas, capta e condensa esta atmosfera.

Apesar da crítica não ter sido muito generosa com o álbum, eu o considero como um dos meus preferidos dessa artista singular e multimídia.

Laurie Anderson dançando com William Burroughs.

As duas canções que abrem cada um dos lados do LP, são os destaques: Smoke Rings, cuja letra mistura sonhos, memórias, delírios e programas de TV, e Language Is a Virus, que parte de uma frase de William Burroughs: “Linguagem é um vírus do espaço sideral”, é uma festa de sons. Não por acaso a produção dessas duas faixas ficaram a cargo de Nile Rodgers.

Aqui Laurie injeta mais música em sua poesia e em seus experimentalismos vanguardistas. Ela entrega um álbum mais palatável do que seus dois anteriores, mas que ainda assim pode soar estranho a ouvidos menos acostumados.

FAIXAS

Todas as faixas compostas por Laurie Anderson.

Lado A

1) Smoke Rings
2) White Lily
3) Late Show
4) Talk Normal

Lado B

1) Language Is a Virus
2) Radar
3) Sharkey’s Night
4) Credit Racket

MÚSICAS






Language is a Virus (álbum)



“Home of The Brave” – filme completo

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