Pink Floyd: Tirando os Tijolos do Muro

Fábio Finotti

Ah meu caríssimo leitor, neste momento tenho uma confissão a fazer: eu devo estar completamente fora do meu juízo perfeito para querer escrever um artigo sobre o Pink Floyd. Como é árduo analisar seus próprios ídolos! Mas isso não importa, pois fiz uma promessa a dois dos meus três fiéis leitores, e como promessa é dívida, irei discorrer sobre esta que é uma das mais sensacionais bandas de rock do universo!

"Lembre-se de um dia anterior ao de hoje Um dia quando você era jovem" Remember a day

“Lembre-se de um dia anterior ao de hoje,
Um dia quando você era jovem” Remember a Day

AJUSTE OS CONTROLES AO CORAÇÃO DO SOL!

Imagine caro leitor, que as viagens no tempo fossem uma realidade tangível e, por um breve momento, que você estivesse no fecundo ano de 1968. E é neste particular momento que eu teria que lhe dizer que tenho uma má notícia, bem como uma ótima também!

Corvejemos a pior: Syd Barrett, gênio responsável por quase todas as músicas do álbum de estreia da banda The Piper at Gates of Dawn finalmente cedeu à loucura depois de abusar de substâncias psicotrópicas. E o que é uma banda sem o seu compositor? E aí surge a ótima notícia que chega como o sol que nasce para dispersar a noite, pois Roger Waters na certeza da perda do principal compositor da banda e na ausência de um candidato, chama a si a responsabilidade e começa a compor as músicas do próximo álbum.

“E eu fico muito grato por você deixar claro/ Que não estou aqui.” Jugband Blues

“E eu fico muito grato por você deixar claro/ Que não estou aqui.” Jugband Blues

Foi justamente quando a banda ficou sem Barrett para fornecer suas intrincadas jóias musicais na forma de amalucados singles psicodélicos, que a banda teve a oportunidade e a liberdade de se desenvolver em músicas que mais se assemelham a épicos, mesmo que ainda possuísse o psicodelismo no seu DNA, que resultou no que hoje conhecemos por um som mais progressivo. E é no A Saucerful of Secrets que vemos o começo desta transição. Que haja mais luz!

O LADO NEGRO DO FLOYD

Após o A Saucerful of Secrets o Pink Floyd lançou cinco excelentes álbuns (a trilha sonora do filme More, Ummagumma, Atom Heart Mother, Meddle e Obscured by Clouds), mas foi com o lançamento do Dark Side of the Moon em 1973, um álbum conceitual marcado por temas sombrios, tais como conflitos, ganância, a passagem do tempo, morte e insanidade, que o Pink Floyd deixou de ser uma banda extremamente competente e com moderado sucesso, para se tornar uma das maiores e mais bem sucedidas bandas de rock, e assim consolidando o talento de Water como letrista e Gilmour como guitarrista, dando início a uma guerra velada pelo domínio interno da banda.

Nesse ponto eu abro um parênteses,  pois apesar de até agora ter dado ênfase ao Roger Waters como letrista, tenho que fazer reverência também ao meu guitar hero e cantor (uma das mais belas vozes do rock!) David Gilmour, ao excelente tecladista Richard Wright e ao competentíssimo baterista Nick Mason, que sem suas contribuições as músicas do Pink Floyd não seriam tão geniais quanto são.

“Entre aqui, meu caro garoto / pegue um charuto" Have a Cigar?

“Entre aqui, meu caro garoto / pegue um charuto” Have a Cigar?

Após o sucesso absoluto de Dark Side of the Moon, que ficou listado na Billboard por 741 semanas e se tornando um dos discos mais vendidos de todos os tempos, a banda lançou Wish You Were Here, que novamente explora temas sombrios como a ausência, o negócio musical, o declínio mental de Syd Barrett, e o Animals, álbum conceitual que faz uma crítica social mordaz das condições sociopolíticas da Grã-Bretanha da década de 1970.

"Agora há um olhar em teus olhos/ Como buracos negros no céu" Shine On You Crazy Diamond

“Agora há um olhar em teus olhos/ Como buracos negros no céu” Shine On You Crazy Diamond

ADEUS CÉU AZUL

O álbum seguinte chamado The Wall é outro álbum conceitual (seguindo a tendência dos últimos três álbuns da banda) sobre um problemático astro do Rock chamado Pink (alter-ego do Waters), tratando de temas como o abandono e o isolamento pessoal, onde é representada por um muro metafórico.

O que é mais interessante sobre as composições de Waters é que todas refletem suas dificuldades sociais e psicológicas. A sensação de abandono de Pink é a sua sensação de abandono, e por que não dizer que a loucura que tanto permeia sua obra, e que tanto é relacionada ao seu amigo Barrett, na verdade reflete o crescente ranço em sua alma resultante de questões mal resolvidas, entre elas sua baixa autoestima. Mas o que são dos gênios sem seus desvarios !?

Após The Wall veio The Final Cut, A Momentary Lapse of Reason, The Division Bell, estes dois últimos sem o Waters, houveram muitas brigas, saídas e retornos de integrantes, egos inflados e alguns álbuns solo, sendo que Waters processou Gilmour e Mason em 1986 pedindo a total dissolução da banda e a proibição do uso da marca Pink Floyd, encerrando assim umas das mais cultuadas bandas de rock.

Tal como Pink em The Wall hoje me pergunto: O que devemos usar para preencher o vazio? Há alguém lá fora?

"Na verdade, não há nenhum lado escuro da lua. De fato, é tudo escuro." Eclipse

“Na verdade, não há nenhum lado escuro da lua. De fato, é tudo escuro.” Eclipse

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4 comentários sobre “Pink Floyd: Tirando os Tijolos do Muro

  1. Como diria Nelson Rodrigues: “VOCÊS, DO ROCKONTRO, MELHORAM A CADA QUINZE MINUTOS”. Esta de hoje ultrapassou qualquer outra. Vou inclui-la no meu email de domingo, dia 01/06. Abraços luminosos. PARABÉNS.

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