Black Sabbath – As várias faces do medo

Fábio Finotti

 

AS VÁRIAS FACES DO MEDO

O Black Sabbath foi uma das primeiras bandas de rock que tive o prazer de ouvir, ainda sob a influência de meu irmão mais velho. O primeiro disco que escutei foi justamente o primeiro da banda, também chamado “Black Sabbath”, cuja capa aparece um velho e lúgubre moinho d’água com uma estranha figura feminina vestida em preto olhando diretamente a quem segura o álbum. Nem preciso dizer o que foi para uma criança de aproximadamente 10 anos ver tal capa bem acompanhada de igualmente sombrias músicas.

Álbum de estréia

Álbum de estréia

Formada em 1968, em Birmingham no Reino Unido, e contando em sua formação original com Ozzy Osbourne nos vocais, Tony Iommi na guitarra, Geezer Butler no baixo e Bill Ward na bateria, o Black Sabbath é considerado pioneiro no estilo Heavy Metal, contribuindo durante sua carreira para o desenvolvimento do gênero. A banda passou por várias formações, e o único dos integrantes originais que sempre permaneceu nos seu posto foi Tommy Iommi, mantendo sempre o som pesado e os riffs sensacionais.

 NÃO COMECE (TARDE DEMAIS)

Tommy Iommi e Bill Ward, então membros de uma banda chamada Mithology, leram em uma loja o anúncio de um cantor chamado John ”Ozzy” Osbourne à procura de músicos para formar uma banda. Apesar de uma má impressão inicial por parte de Iommi (que achava Ozzy um inútil) resolveram montar uma banda. Para completar o grupo, os guitarristas Terrence “Geezer” Butler e Jimmy Phillips foram chamados por Ozzy a unir-se à banda.

Geezer Butler acabou trocando a guitarra pelo baixo, e com a entrada do saxofonista Alan “Aker” Clarke, a nova banda recebeu o nome Polka Tulk Blues Band, e posteriormente encurtado para Polka Tulk. Com a saída de Philips e Clarke, a banda recebe o nome Earth, e consegue algum sucesso tocando blues em pubs britânicos. Entretanto o nome Earth foi utilizado por pouco tempo, visto que já havia uma banda com o mesmo nome.

Fã de romances de “terror” e “magia negra”, Geezer Butler escolhe o novo nome da banda inspirado em um filme de terror italiano do diretor Mario Brava e estrelado por Boris Karloff, “I Tre Volti Della Paura” (As Três Faces do Medo) de 1963, mas exibido nos cinemas ingleses e americanos com o nome de “Black Sabbath”. Deu-se início a uma nova banda, com um som mais voltado a um tipo de Blues pesado, e no dia 13 de fevereiro de 1970 foi publicado o álbum de estréia, simplesmente chamado de “Black Sabbath”.

"I tre volte della paura", ou simplesmente Black Sabbath

“I tre volte della paura”, ou simplesmente Black Sabbath

ERA DE OURO

O álbum de estréia “Black Sabbath” foi um enorme sucesso chegando ao oitavo lugar nas listas inglesas. Hoje este disco é considerado por muitos, devido à atmosfera criada pelas letras e músicas, como um dos álbuns que inaugurou o Heavy Metal conjuntamente com banda tais como Led Zeppelin, Deep Purple, UFO e outros. O heavy metal foi uma resposta ao movimento hippie, uma quebra ideológica e musical em que as características multicoloridas representadas pela paz, o amor, as flores e a lisergia foram encobertas por um véu negro, denunciando um mundo imperfeito em músicas com severas críticas sociais, para tanto utilizando temas com o satanismo, o paganismo, estado psicóticos e outros temas sombrios.

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O álbum seguinte e maior sucesso comercial do grupo, “Paranoid”, alcançou o primeiro lugar nas listas inglesas, ganhando sete discos de platina e um de ouro. Por ir além da atmosfera sombria do primeiro, e abordando temas polêmicos, como a guerra do Vietnã, este álbum angariou milhares de fãs por todo o mundo.

O terceiro álbum chamado de “Master of Reality”, lançado em 1971, foi um tremendo sucesso, sendo o mais obscuro e introspectivo da banda. O quarto álbum chamado “Black Sabbath Vol.4” de 1972 revelou as primeiras alterações no som da formação, claramente influenciado pelo rock progressivo. Em 1973 é lançado o quinto álbum da banda, “Sabbath Bloody Sabbath”, evidenciando ainda mais a atmosfera progressiva, notavelmente contando com a presença de Rick Wakeman.

Do 2º ao 7  º álbum

Do 2º ao 7 º álbum

Devido a uma mudança de gravadora, apenas em 1975 saiu o sexto álbum, “Sabotage”. Musicalmente o álbum é um dos mais variados da banda, alternando canções de heavy metal como em Hole in the Sky e Symptom of the Universe, bem como musicas mais pop-rock como Am I Going Insane (Radio).

O sétimo álbum “Technical Ecstasy”, bem como seguinte: “Never Say Die!”, foi marcado por um som mais flexível, com a presença de sintetizadores, causando desilusão nos fãs dos primeiros álbuns.

 SAI OZZY ENTRA DIO

Em 1979, devido a irreversíveis conflitos com outros membros da banda, Osbourne foi despedido pela sua tendência para o abuso de drogas e álcool. Após a saída de Osbourne o grupo não apresentou uma formação sólida e atingiu muitas vezes uma situação de instabilidade, e assolando vários músicos durante a sua próxima formação. Após a sua saída, ele foi substituído por Ronnie James Dio, ex-vocalista das bandas Elf e Rainbow.

Antes e Depois: Sai Ozzy, entra Dio

O primeiro álbum com Dio, “Heaven and Hell” foi um grande sucesso, permitindo que o grupo voltasse às paradas e aumentasse as vendas, sendo o melhor resultado da banda desde 1975. Durante a turnê do disco, Bill Ward saiu da banda por razões pessoais e foi substituído por Vinny Appice. O álbum seguinte foi “Mob Rules”, de 1981, que seguiu o sucesso de seu antecessor. Enfim, por discordâncias criativas entre Dio e Iommi, Dio deixa a banda levando consigo o baterista Vinny Appice.

QUE!? IAN GILLAN NO SABBATH?!

As saídas de Dio e Appice resultaram em nova instabilidade à banda. Para o papel do baterista, Cozy Powell foi contratado, mas o resultado foi negativo. Esta lacuna foi preenchida pelo oportuno regresso de Bill Ward, porém encontrar um novo vocalista foi mais difícil que o esperado. Foram cogitados Nicky Moore do Samson e John Sloman da Lone Star, mas não deram certo. Iommi queria ter David Coverdale do Whitesnake em sua banda, mas o cantor recusou a proposta. Devido à negativa de Coverdale, Iommi dirigiu seu olhar para Ian Gillan (então ex-Deep Purple).

Ian Gillan entra no Black Sabbath

Com Gillan nos vocais foi possível a realização do álbum “Born Again” que foi massacrado pela crítica, mas que registrou sucesso comercial chegando ao quarto lugar nas paradas inglesas, apesar de causar estranheza na mistura musical (o estilo vocal de blues bem humorado de Gillan sendo incompatível com o estilo pesado da banda) e por vezes esta formação foi chamada de “Black Purple”. Entretanto logo após a turnê Gillan retorna ao Deep Purple.

ÁLBUNS E REUNIÕES

Nos anos seguintes, sob várias formações, o Black Sabbath continuou a produzir discos com qualidade e sucessos variados, tais como “Seventh Star” de 1986, “The Ethernal Idol” de 1987, “Headless Cross” de 1989, “TYR” de 1990, “Dehumanizer” de 1992, “Cross Purposes” de 1994 e “Forbidden” de 1995, mas nunca alcançando o destaque das eras dos vocalistas Ozzy e Dio.

Com a formação original, foi gravado em 1998, o álbum duplo ao vivo, “Reunion”, composto exclusivamente de canções de Osbourne em versões ao vivo, mas que também incluiu duas novas canções de estúdio.

Em 13 de março de 2006, o Black Sabbath entrou no Rock and Roll Hall of Fame. Quando parecia que já tinha chegado ao seu final e a aposentadoria do cenário musical, em outubro de 2006 foi anunciada uma turnê no principal festival europeu de metal, com a formação Dio, Iommi, Butler e Ward. Esta formação se apresentava por causa de um processo pelo uso da marca Black Sabbath sob o nome Heaven and Hell, até a morte de Ronnie James Dio em 16 de maio de 2010.

No dia 11 de novembro de  2011 foi anunciada uma nova reunião com os membro originais da banda, com a exceção do baterista Bill Ward que por problemas contratuais foi substituído por Tommy Clufetos, e assim agendando uma série de novas novas apresentações. No dia 12 de Janeiro de 2013 foi anunciado o lançamento do álbum 13, primeiro álbum de estúdio com Ozzy desde 1978, sendo que a bateria do mesmo foi gravada por Brad Wilk (ex-Rage Against The Machine). 13 teve ótima aceitação, sendo que a banda segue com apresentações nos Estados Unidos e Europa.

 

VÍDEOS

Clique na imagem abaixo para assistir aos vídeos:

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Um comentário sobre “Black Sabbath – As várias faces do medo

  1. O que posso dizer black Sabbath e LED Zepellin estão como as minhas preferidas. É só começar a ouvir para ter que ouvir a semana toda sem parar. A loucura de procurar e ouvir mais de uma vez começou.

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