Memórias, Momentos e Músicas: Marcos Valle – “Viola Enluarada”

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Milton Nascimento e Marcos Valle

 

“VIOLA ENLUARADA” DE MARCOS VALLE

Durante a década de 70, era frequente meu irmão Peté (Pedro César) chegar em casa com algum disco de vinil recém adquirido. Numa dessas vezes, por volta de 1977, ele trouxe um LP do Marcos Valle. Era uma coletânea que juntava músicas da fase ‘bossa-novista’ e da fase ‘engajada’ do cantor/compositor, ou seja, sua produção na década de 60.

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Capa do disco

Embora o Peté gostasse mais da terceira fase de Marcos Valle, na década de 70 com músicas mais suingadas e bem-humoradas, ele me proporcionou entrar em contato com pelo menos três joias raras, com as quais eu tivera pouco contato até então: Samba de Verão, Diálogo e Viola Enluarada.

POESIA E PROTESTO

Eu fiquei apaixonado por Viola Enluarada. Era uma fase da minha vida em que estava descobrindo ou redescobrindo clássicos da MPB, além de estar formando uma consciência política e uma visão crítica do Brasil e do mundo.

A música de Marcos, com letra do seu irmão Paulo Sérgio Valle, virou um hino para mim e eu a gravei, junto com as duas citadas acima, numa fita cassete junto a músicas de Milton Nascimento, Edu Lobo e Elis Regina. Eu levava essa fita para todo lugar. Quando escuto Viola Enluarada, lembro-me uma noite em que eu jogava baralho com os amigos Josino e José Ricardo e o primo Heitor, e a tal fita era a trilha sonora do nosso jogo.

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Os irmãos Paulo Sérgio e Marcos

Composta em 1967 e gravada no álbum “Viola Enluarada”, a canção é uma toada, com sabor das músicas que encantavam as plateias nos disputados festivais de MPB que aconteciam naquele final de década.

Marcos disse sobre ela que queria provocar e criticar a estrutura social e política do país,  então nas amarras da ditadura, com uma canção de protesto bem brasileira.

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Marcos na gravação de um programa de TV

Além da beleza atemporal da melodia e da poesia, outro ponto de destaque é a participação vocal de Milton Nascimento. Mesmo que eu a tenha escutado inúmeras vezes, quando a coloco para tocar e lá pelos 2 minutos entra o vozeirão do Milton: “Quem tem de noite a companheira / Sabe que a paz é passageira, / Prá defendê-la se levanta / E grita: Eu vou!” é sempre uma emoção arrepiante!

MÚSICA


 

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