Histórias de um Colecionador de Discos: José Maurício de Sousa

Zé_CP

José Maurício na Feira da Benedito Calixto em São Paulo.

Conheço o José Maurício desde 1978, quando entramos no curso de engenharia elétrica da Universidade Federal de Goiás. E o que uniu duas pessoas tão distintas quanto o extrovertido, elétrico e falante José Maurício e o tímido, sossegado e calado Paulo Afonso? A música! E principalmente o rock! Não sei em que momento surgiu o assunto, mas o nosso primeiro ponto de convergência foi o fato de ambos termos como banda do coração os Beatles. Do empréstimo da minha coleção dos Beatles para que o José Maurício gravasse em fita cassete até nossas expedições vinílicas em São Paulo, muito som rolou e o rock nos ajudou a solidificar uma amizade que já dura 42 anos!

Insisti com o Zé para fazermos essa entrevista, pois ele tem muita história para contar e eu não conheço mais ninguém que possua uma coleção de mais de 11 mil discos para poder conversar.

Quem é José Maurício?

Professor há 42 anos, fui engenheiro eletricista por 35 anos, mas prefiro ser chamado de guitarrista, mesmo que precedido pelo adjetivo péssimo.

Roqueiro até a medula.

Qual foi o seu primeiro LP e quando foi?

Meu primeiro disco foi um cateretê de Joubert de Carvalho e Olegário Mariano cantado por Gastão Formenti em 78 RPM (10”) que ganhei de minha avó em 1972. Embora gostasse da música De Papo P’ro Á, não cheguei a ouvir o disco, pois o deixei em uma poltrona e sem querer sentei. Só recuperei esse disco em 2012 na feira do Bixiga em São Paulo.

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O LP da novela “Carinhoso”,  o compacto Paul McCartney e Wings, um 78 RPM de Little Richard e 0 78 RPM “De Papo Pro Á”

Já o primeiro disco que comprei foi o compacto simples Live and Let Die / I Lie Around de Paul McCartney & Wings. Tinha juntado dinheiro para outro compacto, mas quando cheguei na “Discolar – onde o sucesso chega primeiro” este disco estava tocando. Mudei de ideia e levei o Paul. O primeiro LP foi a trilha sonora internacional da novelaCarinhoso” principalmente por Skyline Pidgeon com Elton John.

Quando você começou a colecionar discos?

Em 1973, embora desde 1970, quando comecei a aprender inglês por causa do Álbum Branco já tivesse vontade, mas não tinha toca discos para 33 1/3 RPM.

Os músicos citam influências de outros músicos e o colecionador teve influência de alguém para começar a colecionar?

Cresci ao pé do rádio, ouvindo música e futebol. Sonhava em não ter que esperar “aquela” música tocar. Quando minha avó comprou a primeira vitrola cuja tampa era o alto falante, pude começar. De 1975 a 1977 voltamos a ouvir música apenas nos rádios (inclusive de carro), pois a vitrola tinha estragado.

Você coleciona qualquer gênero musical ou existem exceções?

Principalmente rock anos 60/70, pop e soul internacional. Também tenho música brasileira: repente, coco, embolada, aboio, baião, xote, mpb, caipira, samba, jovem e velha guarda. E música erudita. Não compro axé, gospel, funk, rap e sertanejo universitário.

Quantos discos você tem?

11.148 LPs, 2.177 compactos (singles de 7”), 118 discos de 78RPM e 1.328 CDs.

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Para captar toda a coleção a foto teria que ser panorâmica.

Qual o disco mais raro de sua coleção?

Em 78 RPM, considero o Cinquentenário de Anápolis / Hino Cinquentenário, por ser a primeira gravação “independente” que conheço (1957) feita por encomenda. Consegui pesquisar sobre o autor dos dobrados, mas ninguém sabe sobre essa gravação.

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O 78 RPM com o Hino Cinquentenário

Possuo alguns compactos “difíceis” de encontrar, dentre eles destaco o primeiro compacto brasileiro do The Pink Floyd com See Emily Play / Scarecrow de 1967 com o selo FERMATA e o disco flexível – de apenas um lado – lançado pelo fan club oficial dos Beatles na Inglaterra no natal de 1967 com mensagens natalinas e a música Christmas Time Is Here Again. Além de três compactos numerados dos Beatles, também em disco flexível. Quanto aos compactos nacionais, destaco o ”disco de bolso” – O tom de Antônio Carlos Jobim e o tal de João Bosco – lançado pelo Pasquim em 1972 contendo a primeira gravação de Águas de Março de Tom Jobim e de Agnus Sei de João Bosco. Possuo duas cópias sendo uma delas autografada por João Bosco.

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Caixa bootleg do Beatles “Get Back Journals”

Quanto aos LPs, alguns dos bootlegs dos Beatles como “Five Nighs in a Judo Arena” (japonês – primeira edição), e a caixa “Get Back Journals” com 11 LPs coloridos contendo toda a gravação dos ensaios de “Let it Be”. Outros bootlegs floydianos como “The Abdabs” (triplo) e “The Wall – demos” – um picture disc contendo músicas do “The Wall” com letras diferentes das gravadas oficialmente –  também fazem parte da coleção, mas considero como a maior preciosidade o LP nacional “Year of the Cat” autografado por Al Stewart.

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Pink Floyd “The Abdabs”, Al Stewart “Year of the Cat”, uma foto do Zé com o Al e Pink Floyd “The Wall – Demos”

Há discos em seu acervo que você adquiriu só como item de coleção?

Vários. Sempre tento completar toda a discografia de alguma banda que gosto, mesmo com os piores discos. Tenho, por exemplo, um bootleg duplo do Paul McCartney, “The Lost McCartney Album” com as sobras de gravação do “McCartney II”, pensa num disco ruim!! Quando ganho algum disco, mesmo que não goste, ouço catalogo e guardo, aliás excetuando os LPs que ainda estão lacrados, já ouvi todos. Comecei a anotar as datas das audições em 2011 e hoje o disco só vai pra estante após catalogado e ouvido.

Como faz para adquirir seus discos?

Em feiras – a melhor de todas na Praça Benedito Calixto em São Paulo – em sebos, de Pirenópolis a Nova York, e pela internet.

Como é organizada sua coleção?

Possuo quatro paredes de estantes com 128 “quadrados” de 37x35x37 cm, além de 16 gavetas para os compactos. Os CDs já foram “expulsos” do escritório.

Qual o seu músico (banda) preferido?

The Beatles

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Bootleg do Beatles – “Five Nights in a Judo Arena”

 

Além dos Beatles, quais são seus músicos preferidos?

Três “coisas” não posso começar a ouvir sem tocar boa parte da coleção:

Beatles (inclusive discos solos do Paul McCartney), Pink Floyd e Raul Seixas. Al Stewart, além dos clássicos do rock também estão na lista.

Você conseguiria relacionar os 11 discos que você mais gosta?

Não. Segue uma relação mínima por ordem de lançamento

  1. The Beatles (1968) – The Beatles
  2. Abbey Road (1969) – The Beatles
  3. Atom Heart Mother (1970) – Pink Floyd
  4. Band on the Run (1973) – Paul McCartney
  5. The Dark Side of the Moon (1973) – Pink Floyd
  6. Goodbye Yellow Brick Road (1973) – Elton John
  7. Krig-Ha Bandolo! (1973) – Raul Seixas
  8. Dead Faces (1973) – Pholhas
  9. Ringo (1973) – Ringo Starr
  10. Journey to the Centre of the Earth (1974) – Rick Wakeman
  11. A Night at the Opera (1975) – Queen
  12. Year of the Cat (1976) – Al Stewart
  13. Alucinação (1976) – Belchior
  14. Hotel California (1977) – Eagles
  15. Amor de Índio (1978) – Beto Guedes
  16. Breakfast in America (1979) – Supertramp
  17. Eye in the Sky (1982) – Alan Parsons
  18. In the Eye of the Storm (1984) – Roger Hodgson
  19. Brothers in Arms (1985) – Dire Straits

Qual é o disco da vez (aquele que você ouviu várias vezes no último mês)?

É o primeiro disco da banda norueguesa Aunt Mary de 1970. O disco possui o mesmo nome da banda e contém o insuperável blues I Do and I Did.

Para terminarmos, qual é coisa que mais lhe dá satisfação em colecionar discos?

Ouvir!!! Gosto também da procura, da garimpagem e da amizade feita em tantos lugares com vendedores e colecionadores.

Sempre viajo a negócios: compra, audição, catalogação e armazenagem de discos. Esse é o meu negócio!

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Compactos: Beatles, Pink Floyd, João Bosco (capa autografada) e Tom Jobim.

6 comentários sobre “Histórias de um Colecionador de Discos: José Maurício de Sousa

  1. José Maurício é um grande amigo. Ele falou das coleções dele e eu também tenho a minha, Roberto Carlos. Todas as vezes que o Zé vai comprar os seus discos, ele não deixa de garimpar discos para minha coleção e já comprou vários, inclusive alguns raros. Quero de público agradecer isto a ele e dizer, Deus abençõe. Robson

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