Miles Davis e a fusão jazz e rock

Paulo Fernandes

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REVOLUÇÕES POR MINUTO

Eu pensava que nunca iria gostar de Jazz, até que no início da década de 80 meu amigo Josino me falou de John Coltrane e Miles Davis. Bastou ouvir Miles Runs the Voodoo Down com Miles e My Favorite Things com Coltrane para o gênero ganhar mais um fã.

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Miles Davis

 

Miles Davis começou sua carreira como trompetista de jazz por volta de 1944, tendo participado, inclusive, da banda de Charlie Parker. Desde então marcou sua presença, como figura de proa, em todos os grandes movimentos experimentados pelo jazz: bebop, cool jazz, jazz modal e o Jazz Fusion do final da década de 1960.

Seria muita pretensão minha querer discorrer aqui sobre a extensa e variada vida musical de Miles Davis, portanto, e por estarmos num site de rock, me concentrarei em sua fase inicial de aproximação com o rock e dos ótimos frutos nascidos desse casamento.

Mas não deixem de ouvir maravilhas como os álbuns: “Birth of Cool”, com gravações de 1949 e 1950, “Miles Ahead” (1957), “Kind of Blue” (1959) – obra-prima entre as obras-primas e com a participação de John Coltrane – e “Sketches of Spain” (1960).

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JAZZ + ROCK

Já escrevi no site sobre a selva infindável de estilos e gêneros dentro do rock, porém vou precisar falar aqui de, pelo menos, mais dois rótulos: o Jazz Rock e o Jazz Fusion. Esses termos às vezes se confundem e nos confundem, mas podemos delimitar mais ou menos assim:

a)  Jazz Rock: seria o rock misturado ao jazz. Exemplos: Santana, Blood Sweat and Tears, Chicago, Traffic e Soft Machine.

b)  Jazz Fusion: seria o jazz com elementos de outros gêneros musicais, entre eles o rock. Exemplos: Miles Davis (a partir de 1969), John McLaughlin e a Mahavishnu Orchestra, Return to Forever, Weather Report, Herbie Hancock, Larry Coryell, Stanley Clarke e Chick Corea.

Porém tal coisa não é rígida e definitiva: poderíamos chamar a música de Frank Zappa, Jeff Beck ou Jethro Tull de jazz rock?

Um dos pioneiros do fusion foi o vibrafonista Gary Burton que, ao lado do guitarrista Larry Coryell, já experimentava o jazz com rock desde 1966. Mas coube a Miles Davis a consolidação do gênero.

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A ELETRIFICAÇÃO DO JAZZ DE MILES DAVIS

A partir de seus discos: “Miles in the Sky”, de 1968 e “Filles de Kilimanjaro”, de 1969, Miles começou sua experimentação o rock e outros ritmos. Instrumentos elétricos já apreciam em sua música: piano elétrico, baixo elétrico e guitarra.

O maravilhoso álbum “In a Silent Way”, também de 1969, talvez possa ser considerado o primeiro disco totalmente fusion de Miles. Apenas 2 faixas: duas longas suítes estruturadas em forma sonata. A banda, ampliada, incluía agora um time excepcional:

Chick Corea – Piano Elétrico,
Herbie Hancock – Piano Elétrico,
Wayne Shorter – Saxofone Soprano,
John McLaughlin – Guitarra Elétrica,
Joe Zawinul – Órgão Elétrico,
Dave Holland – Baixo
Tony Williams – Bateria

Mas foi o álbum duplo de 1970: “Bitches Brew” que se tornou um marco do jazz fusion e da carreira de Miles Davis. Com esse disco conseguiu-se o impensável: conciliar os públicos do jazz e do rock, além de fazer que esse último voltasse suas atenções para os artistas do jazz em geral, e não só do fusion. Jack DeJohnette substituiu Tony Williams e mais alguns músicos, inclusive o brasileiro Airto Moreira, foram incorporados para as gravações desse que é um dos discos mais influentes de dois dos mundos da música: o jazz e o rock.

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OS FRUTOS DE BITCHES BREW

Os anos 1970 presenciaram o apogeu e o declínio do fusion (ou seria do jazz rock?). Praticamente todos os músicos que participaram das gravações de “Bitches Brew” se aventuraram em projetos solo ou coletivos e obtiveram sucesso, pelo menos durante a década.

Três grandes grupos foram formados por músicos que participaram desse disco histórico: a Mahavishnu Orchestra de John McLaughlin, o Return To Forever de Chick Corea e o Weather Report de Joe Zawinul.

É impossível listar aqui os nomes de artistas e formações coletivas que seguiram o caminho aberto por Miles Davis. Mas ao final da década 1970 a vertente fusion parece ter chegado a um beco sem saída e já no início dos anos 1980, salvo algumas exceções, entrou em franco declínio. O próprio Miles não conseguiu mais alcançar o patamar de qualidade que ele mesmo havia traçado.

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MÚSICAS

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MAHAVISHNU ORCHESTRA

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RETURN TO FOREVER

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WEATHER REPORT

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JEAN-LUC PONTY

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JOHN McLAUGHLIN

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LARRY CORRYEL

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