Disco Nota 11: “Blonde on Blonde” – Bob Dylan

Paulo Fernandes

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FESTA DE ARROMBA

Em janeiro de 1967, durante uma festa regada a LSD, a polícia chegou à casa de campo de Keith Richards, nos arredores de Londres, com um mandado de busca e apreensão de drogas. Estavam lá, além de Keith, Mick Jagger, Marianne Faithfull, o fotógrafo Michael Cooper, o artista plástico Robert Fraser e o traficante pessoal David Schneidermann. George Harrison e sua mulher Patti já haviam saído quando a polícia chegou.

Mick e Keith após o julgamento

Mick e Keith após o julgamento

Segundo Keith, os presentes foram alinhados na sala, para revista, neste momento o disco “Blonde on Blonde” tocava na vitrola e Richards começou a rir descontroladamente da insólita situação: Bob Dylan ordenava “everybody must get stoned” (todo mundo deve ficar chapado).

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ROCK EM ALTO E BOM SOM

Em “Blonde on Blonde”, de 1966, Dylan não deixa dúvidas: entregou-se de corpo e alma ao rock e ao blues eletrificado, avançando ainda mais no terreno desbravado em seu álbum anterior: “Highway 61 Revisited”.

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O primeiro álbum duplo da história do rock, “Blonde on Blonde” é uma obra que considero irretocável e cada vez que o escuto gosto mais. Dylan, sempre à frente do seu tempo, abre as portas para a experimentação musical no rock e facilita a diversificação estilística e o amadurecimento deste gênero musical.

O disco já começa, digamos, de forma sui generis com Rainy Day Women #12 e 35, descrita como uma “marcha demente” numa festa barulhenta, e segue desfilando poesia e ousadia em canções cristalinas e vibrantes.

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BRILHANTE COMO OURO

Cerca de 10 anos depois de seu lançamento, Dylan disse a respeito desse álbum: “O mais próximo que cheguei do som que ouço na minha cabeça foi em ‘Blonde on Blonde’. Aquele som fluido, visceral da Mercury. Metálico e brilhante como ouro, com o que quer que venha à mente para acrescentar alguma coisa. Aquele é o meu som”. Precisa dizer mais?

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A capa é uma atração à parte: a foto, intencionalmente desfocada, de um Dylan de expressão séria, com cabeleira desgrenhada. Sem texto algum.

“Blonde on Blonde” fecha um dos mais interessantes ciclos dylanescos, uma fase de namoro e casamento com o rock iniciada com “Bringing It All Back Home”, de 1965. Depois dele Dylan mudaria seu rumo novamente, agora em direção à música country.

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FAIXAS

Todas as faixas compostas por Bob Dylan.

Lado 1

1) Rainy Day Women #12 & 35
2) Pledging My Time
3) Visions of Johanna
4) One of Us Must Know (Sooner or Later)

Lado 2

1) I Want You
2) Stuck Inside of Mobile with the Memphis Blues Again
3) Leopard-Skin Pill-Box Hat
4) Just Like a Woman

Lado 3

1) Most Likely You Go Your Way (And I’ll Go Mine)
2) Temporary Like Achilles
3) Absolutely Sweet Marie
4) 4th Time Around
5) Obviously 5 Believers

Lado 4

1) Sad Eyed Lady of the Lowlands

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MÚSICAS 

Para ouvir o álbum completo clique no link abaixo e depois em Watch video (e espere o vídeo carregar):

 “BLONDE ON BLONDE” – Bob Dylan

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Achar as músicas originais de Bob Dylan no You Tube é uma canseira, só consegui estas:

 

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