Na Segunda Fila do show de Al Stewart

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Eu andava meio “invocado” com a música One Stage Before do álbum “Year of the Cat” de Al Stewart. Uma letra enigmática que, segundo Mr. Stewart, seria sobre reencarnação, mas que eu enxergava apenas a vontade do músico em tocar ao vivo. Trechos como “and some of you are harmonies to all the notes I play” – e alguns de vocês são harmonias para todas as notas que toco – ou “so one more time we’ll dim the lights and ring the curtain up and play again like all the times before” – então mais uma vez nós apagaremos as luzes, subiremos as cortinas e tocaremos novamente como nos velhos tempos – justificavam minha interpretação. Mas o que mais me chamava a atenção era a frase “I see those half-familiar faces in the second row” – eu vejo aqueles rostos meio familiares na segunda fila. Quando tocamos, não sei a razão, nós vemos mais a segunda fila (acho que pelo ângulo e altura do palco, o olhar dirigido à guitarra fica na mesma linha da segunda fila) .

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No dia 12 de agosto de 2016, ao consultar a página de shows do Al, deparei-me com a data 26 de janeiro de 2017 no Crest Theatre Delray, em Delray na Flórida a exatos 29 quilômetros da casa de meu irmão Luiz. E-mail pra lá e pra cá:

– Vamos nesse show?

– Vamos sim. Olhei no site, mas ainda não está vendendo ingressos.

Era 28 de agosto, quando em conversa com o Luiz, ele perguntou sobre a venda de ingressos do show. Abri a página e a venda começaria em 40 minutos. Pronto, fomos os primeiros a comprar e escolhi o centro da segunda fila!!!

O teatro tem apenas 323 lugares em um térreo e um mezanino dentro da Old School Square em Delray Beach. De posse de duas capas do LP “Year of the Cat” (uma japonesa e outra brasileira) das oito unidades que compõem minha coleção, fui surpreendido por uma senhora simpática na recepção:

­­- Que bom que trouxe o disco, ele vai autografar ao final do show!

Pronto! (de novo). Agora só teria que me preocupar com o show, sem ficar levantando a capa do disco prá pedir o autógrafo. Às 8h em ponto, o show é aberto pelo guitarrista Dave Nachmanof e o baixista Mike Lindauer, que tocaram três músicas antes de Al Stewart ser apresentado.

Luiz e eu.

Luiz e eu.

Ele começou com House of Clocks, passando por Flying Sorcery, Palace of Versailles, Broadway Hotel, On the Border, Night Train to Munich, Gina in the Kings Road, Time Passages, Midas Shadow, Warren Harding

O show quase acabando e nada de One Stage Before.

– One Stage Before! – Gritei.

Ao que ele respondeu:

– Você quer torturar o guitarrista? É muito rápido!

– A mão direita?

– É, a mão direita! – Disse ele referindo-se à rapidez da mão direita enquanto a esquerda faz os acordes de mi menor e dó maior com o fret capo no segundo traste, alterando os acordes para fá sustenido menor e ré.

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Eu já estava conformado que não iria ouvir a música que me levou ao show quando, enquanto a platéia fazia seus pedidos, o senhor Stewart posicionou o fret capo no segundo traste e tocou-a. E ainda teve mais, ele finalizou o show com Year of the Cat e voltou para o bis com Sheila cantada em dueto com Dave Nachmanof.

Show encerrado, uma fila se formou para os autógrafos. Gastei meu tempo conversando com o baixista e depois com Dave que me presenteou com três palhetas. Quando a fila já estava pequena, me posicionei e logo fui atendido. Tinha preparado essa frase desde o fim do show:

– Vim do Brasil para o show, obrigado por cantar One Stage Before, eu tinha que pedir, afinal estava na segunda fila.

Ouvi uma gargalhada, que me deixou à vontade pra perguntar sobre a mudança dos violões Ovation do princípio da carreira para os Taylor que agora ele usava.

– Você me conhece mesmo!

Respondi com uma rara inspiração, repetindo um dos versos de One Stage Before, onde ele se refere ao público:

– Although we may not meet still you know me well (embora não temos nos encontrado, você me conhece bem).

Eu e Al durante a sessão de autógrafos.

Eu e Al durante a sessão de autógrafos.

Dei a ele um CD do La Morsa indicando que ouvisse Lonely Saylor, inspirada em sua Lord Greville. Ele agradeceu, disse que iria ouvir e me perguntou se não conhecia algum empresário, pois gostaria de tocar no Brasil.

Alguém se habilita?

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A capa autografada e já devidamente emoldurada e afixada na parede.

 

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MÚSICAS

No Álbum:

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Ao Vivo (registros do show):

 


 

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6 comentários sobre “Na Segunda Fila do show de Al Stewart

  1. Como o Dido Jaime está com problemas para postar seu comentário aqui, eu vou dar uma ajudinha e colar seu texto:

    “Se este blog não existisse teria de ser inaugurado justamente com esta crônica. Sem nos embrenharmos pelas searas de reencarnação que o Zé Maurício ousa provocar, esse seu escrito é a “alma do rock”. Acabou me fazendo mudar radicalmente de rumo, ao chegar ao meu escritório para, entre outras coisas, escrever uma crônica no Facebook. Aí acho uma mensagem do Rockontro …na segunda fila… Viajei de primeira classe na trilha sonora dessa prosa, deixando de lado o Gershwin que estava “na agulha” para inspiração ao outro escrito, que fica prá outra hora. Parabéns, Zé Maurício! Parabéns Paulo! Rock é isso!
    Dido.”

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