Pholhas e o seu “Dead Faces”

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Quando o Wander Mass Group abandonou as músicas instrumentais que animavam as festas de colégio, Wanderley e Tinho deixaram o grupo. Paulinho (Paulo Roberto Fernandes, bateria/vocal), Oswaldo (Oswaldo Malagutti Jr, baixo) e Hélio (Helio Santisteban, teclado/violão/vocal) convidaram o beatlemaníaco Wagner Tadeu Benatti (Bitão, guitarra/vocal) para formarem os Pholhas.

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Com a censura implacável, as gravadoras resolveram investir em cantores nacionais interpretando em inglês (caso de Chrystian, Fabio Jr. (Mark Davis), Jessé (Tony Stevens), etc). Nesse cenário surgem Os Pholhas, vindo de um sucesso espetacular nos bailes (onde faziam covers de Creedence Clearwater Revival, Hollies e principalmente Beatles) rumo ao primeiro disco. “Dead Faces” foi gravado pela RCA e lançado em 1973.

Para apreciar esse Long Play temos que voltar ao início dos anos setenta onde tínhamos três fontes básicas para ouvir uma música: esperar ela tocar no rádio (e, se estivesse preparado, gravar usando um microfone e um gravador portátil); comprar o compacto (que na linguagem de hoje seria single) e se tivesse muito dinheiro comprar o LP.  O acesso à letra da música era quase impossível já que nem todo LP possuía encarte. Saber o nome da música já era grande coisa, pois a maioria dos locutores não sabia inglês e sua pronúncia beirava o grotesco. Não podia se esperar muito do conhecimento da língua inglesa naqueles tempos, poucas escolas e muito caras…

Um bom disco começa pela capa e o primeiro (e melhor) LP dos Pholhas trazia na capa as máscaras mortuárias dos quatro elementos do grupo (uma alusão ao título: “Dead Faces”).

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Capa do LP assinada pelos 4 pholhas.

A capa é tão boa que vinte e sete anos depois, Storm Thorgerson, partindo da concepção original de Roger Waters em 1980, usou as máscaras, que aqui não são mortuárias, dos quatro membros do Pink Floyd, para a capa do álbum “Is There Anybody Out There? The Wall Live 1980–81”, de 2000. Pessoalmente acho que a Ana Teóphilo (foto) e o Tebaldo (arte) conseguiram um efeito melhor, talvez por causa dos olhos das máscaras (compare e tire sua própria conclusão).

“Dead Faces” é repleto de baladas românticas que fizeram bastante sucesso: The Other One (que abre o lado A do disco), She Made me Cry (o segundo maior hit do disco), I Never Did Before, It’s Gonna Be Hard, Angel’s Spring e o maior sucesso da banda: My Mistake.

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My Mistake conta de um erro cometido pelo autor ao matar a mulher infiel (esse não é tema exclusivo do mundo sertanejo). Sob certo aspecto podemos considerar que essa música encerra a trilogia iniciada por I Heard It Through the Grapevine (gravada por Marvin Gaye e Creedence Clearwater Revival) onde o portador da galhada fica sabendo de sua “sociedade” através de fofocas. Se em Hey Joe (gravada por Jimi Hendrix e Deep Purple) o traído acaba de atirar na mulher e tenta fugir para o México, em My Mistake ele já está preso e arrependido por ter perdido a cabeça e atirado nela. Aliás, esse “perdido a cabeça” (o domínio da língua inglesa não era o ponto forte das composições) aparece como I lost my “head” (e não I lost my MIND) e eu ficava imaginando uma pessoa sem a cabeça atirando na infeliz. Mas o que interessa é a música! Só pelas baladas já seria um disco nota 11.

 

The World’s Truth é um rock filosófico sobre a busca da verdade: “o mundo é cheio de meias verdades individuais”. Grande rock com solos de teclado e guitarra abrindo caminho para a progressiva Beauty of Your Soul onde a guitarra do Bitão é a estrela. Dead Faces fecha o lado A do vinil com uma guitarra base (ou rítmica como diziam na época) em perfeita sintonia com o teclado.

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Pholhas em Anápolis

 

Para abrir o lado B do vinil o melhor rock progressivo nacional (ao lado de Lar de Maravilhas do Casa das Máquinas): In My Way. Tive o prazer de solicitar essa música durante um show aqui em Anápolis e ouvir a promessa (cumprida) de que a banda a tocaria da próxima vez. Também nesse lado encontra-se a música com o maior título que conheço (se alguém souber de outra, por favor, comente): Your Mother Really Doesn´t Appreciate too much Our Friendship, But I Don’t Mind.  Acho que essa música nunca tocou no rádio, nenhum locutor arriscaria anunciá-la. O LP termina com The King’s Walk, um excelente instrumental onde o entrosamento do grupo fica evidente.

 

MÚSICAS

Álbum Completo

She Made me Cry

My Mistake

In My Way

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